A Conferência do Episcopado Mexicano pediu perdão nesta terça-feira pelos abusos sexuais de sacerdotes contra crianças e jovens, em comunicado divulgado após sua assembleia anual.

"Queremos pedir perdão àqueles que foram vítimas de abuso por parte de sacerdotes desonestos, que com suas ações abomináveis prejudicaram a crianças inocentes, traindo seu ministério, sujando a instituição e manchando a figura sacerdotal", disse a conferência, em comunicado.

Os bispos e arcebispos também se comprometeram a permitir que "autoridades civis intervenham e façam cumprir a lei" em casos atuais e do passado.

A Igreja mexicana também defendeu o papa Bento 16 pela "valentia com que tem se expressado" sobre as acusações de pedofilia e por sua atuação em relação às denúncias contra sacerdotes católicos envolvidos nesses casos em várias partes do mundo.

Manual

O Vaticano divulgou nesta segunda-feira um manual sobre o procedimento da Igreja Católica para os casos de abusos sexuais de crianças por padres. No documento, publicado no seu site, a Santa Sé pede que os casos de padres pedófilos sejam denunciados "sempre" à autoridade civil e que, nos casos mais graves, o papa pode reduzir os religiosos diretamente ao estado laical --sem a necessidade de um julgamento canônico.

Segundo o vice-porta-voz do Vaticano, Ciro Benedettini, não se trata de um novo guia, mas da revisão de um documento redigido em 2003 e que foi publicado hoje "em nome da absoluta transparência" pregada pelo papa.

O documento, que não traz novidades ao que o próprio papa Bento 16 já havia pedido em carta aos fiéis da Irlanda, é a maior cartada do Vaticano para responder não só as recentes denúncias de pedofilia, mas às denúncias de que a Igreja Católica se calou diante de centenas de casos.

Até mesmo o papa foi acusado de omissão para os abusos cometidos por padres quando era arcebispo de Munique, na Alemanha, entre 1977 e 1981, e durante os 25 anos em que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, antes de ser eleito pontífice em 2005.

Benedettini explicou que o guia de atuação foi definido pela Congregação para a Doutrina da Fé, mas nunca havia sido tornado público. "A lei civil referente à denúncia dos crimes às autoridades apropriadas deve ser sempre seguida", explica a Santa Sé, escrevendo expressamente pela primeira vez que recorrer às autoridades civis é obrigatório.