Editor do Jornal Nacional, o apresentador William Bonner definiu o amigo Armando Nogueira, que morreu nesta segunda-feira (29) no Rio, como “um gigante do telejornalismo”.
“Foi sob a gestão dele, no comando do jornalismo da TV Globo, que se criou o Jornal Nacional, ao lado da Alice Maria e do Boni”, lembrou o jornalista que também falou sobre a importância de Armando em sua vida pessoal. “Pessoalmente, foi sob sua gestão que eu surgi na Globo, em 1986, e foi pelas mãos dele que eu vim pro Rio, em 1989, onde vivo até hoje e construí minha família”, disse.
“Ele me abriu as portas da TV Globo e me ensinou a fazer telejornalismo. Se tenho algum nome hoje nesse mercado foi porque ele me ajudou a construir”, sintetizou Bonner, que citou ainda, a importância de Armando no jornalismo esportivo brasileiro: “Ele foi um artista da crônica esportista, com um texto que era, sem exageros, um diamante”.
Além de Bonner, outras personalidades comentaram a morte do jornalista. Veja a seguir:
Roberto Irineu Marinho: busca pela correção e pelo equilíbrio
Ausente do país, o Presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, divulgou a seguinte nota sobre o falecimento do jornalista Armando Nogueira:
“Quando passei a trabalhar mais de perto com Armando Nogueira, eu estava na casa dos 30 e ele na casa dos 50, mas nunca houve entre nós uma distância de gerações. Armando sempre foi jovem, e creio que foi essa força juvenil que o equipou para não somente ajudar a criar o telejornalismo brasileiro, mas para fazê-lo num dos períodos mais difíceis de nossa história, em pleno regime militar, com censores nos vigiando o tempo inteiro. Fui testemunha de como ele, mesmo sob enorme pressão, lutava para manter o ânimo entre os jornalistas, testando cotidianamente os limites, não permitindo que a autocensura se tornasse uma prática. Na ditadura ou na democracia, porém, foi sempre rigoroso com o que ia ao ar, fosse nas coberturas históricas, fosse no dia a dia: era implacável na busca pela correção, pelo equilíbrio e, uma qualidade muito dele, pelo texto perfeito. Deixou-nos isso como norma. Era um prazer tê-lo como colaborador, mas era um prazer ainda maior ser seu amigo e dividir com ele algumas paixões, como os voos de ultraleve, que praticou, como um jovem, até os 80. Hoje, eu, como todos os que tiveram a alegria de conviver com Armando, fico com essa lição: é possível ser sério, disciplinado, rigoroso, sem nunca deixar para trás o frescor da juventude”.
João Roberto Marinho: talento que deixou marcas
João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo e presidente do Conselho Editorial do grupo, afirmou que o jornalista deixou a marca de seu talento por onde passou:
“Armando Nogueira deixou a marca do seu talento excepcional por onde passou: no jornalismo impresso, na crônica esportiva e, para nós, muito especialmente na televisão. Foi na Globo, de 1966 a 1990, que ele liderou a equipe de jornalistas que criariam a linguagem do telejornalismo que conhecemos hoje. Foram 24 anos de uma colaboração estreita primeiro com meu pai, Roberto Marinho e, depois, também comigo e meus irmãos, Roberto Irineu e José Roberto. Foi um período muito rico, em que Armando atuou ativamente para que o jornalismo televisivo ganhasse rigor e, por isso, relevância. Dele, guardamos a imagem do profissional atento, mas também do amigo espirituoso, uma conversa sempre inteligente e cativante. Deixa saudades e um legado extremamente positivo, reconhecido por todos. Nesse momento de despedida, isso certamente conforta a nós, seu amigos, e a sua família, a quem rendemos homenagem."
'Era um craque', diz Ali Kamel
O diretor da Central Globo de Jornalismo, o jornalista Ali Kamel também prestou homenagens ao amigo: "Armando teve uma carreira brilhante, primeiro no impresso, e depois quando, junto com Alice Maria, praticamente fundou o telejornalismo brasileiro. Era um craque. Estamos todos muito tristes com a partida dele. O bom é que o legado dele é muito importante, tudo o que você vê na TV, que é a minha área, tem a marca do Armando".
O cineasta Luiz Carlos Barreto também lamentou a morte do jornalista. “Ele era mais que um amigo, era um irmão. Temos amizade desde os anos 50, a época de ouro da seleção brasileira de 1958. O Armando trouxe um novo texto para o esporte, trouxe a poética, trouxe o lirismo", disse Barreto.
Boni: 'Polivalente'
Ex-diretor da Globo e amigo de Armando, Boni, em entrevista à Globonews, chamou Armando de “polivalente”. “Ele foi uma figura muito importante na época da ditadura, foi um baluarte na defesa da liberdade, com sua capacidade de diálogo. Vamos creditar isso à luta da liberdade de expressão”, lembrou.
“Ele era uma pessoa polivalente. No final de sua vida, a relação com a música, tocava gaita. “A poesia estava presente em tudo na sua vida. Era uma pessoa realmente maravilhosa”, completou.
Lula: talento de sobra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota de pesar pela morte do jornalista: "Armando Nogueira foi um dos nomes de maior destaque da história do jornalismo brasileiro, especialmente na televisão e na crônica esportiva. Tinha talento de sobra que lhe permitiu atuar em diferentes mídias, sempre com o mesmo brilho e a mesma preocupação com a qualidade do texto e da informação. Neste momento de perda, quero externar meu sentimento de pesar a seus familiares, amigos, colegas da imprensa e admiradores".
Alice-Maria: ideias brilhantes
Para Alice-Maria, diretora de desenvolvimento e programas especiais da TV Globo, o jornalista foi o responsável pelo telejornalismo no Brasil.
“O telejornalismo hoje no Brasil deve principalmente a ele. Essa homenagem no Maracanã é uma coisa que o Armando Nogueira faria para uma outra pessoa. Isso é uma ideia típica do Armando Nogueira. Quando acontecia alguma coisa emocionante, como a gente ia fechar o Jornal Nacional? Ele tinha ideias brilhantes, ou fazia a gente ter”.
Escritor Sérgio Cabral: Machado de Assis da crônica esportiva
Já o jornalista e escritor Sérgio Cabral, pai do governador do Rio, descreveu Armando Nogueira como um amigo querido e solidário. Cabral disse que herança Armando deixa ao jornalismo:
"Eu digo ‘meus filhos, escrevam bem, caprichem no texto, leiam bastante, porque todos têm um grande exemplo que é o Armando’. Aliás, é um exemplo ‘imorredor’. Nesse aspecto o Armando não morreu, ele continua aí para nos ensinar a escrever. Eu sempre tentei imitá-lo, mas nunca consegui. Não é a toa que ele era chamado de Machado de Assis da crônica esportiva."
Luis Erlanger: jornalismo levado para a televisão
O diretor de Comunicação da TV Globo, Luis Erlanger, disse que ele é o responsável pela implantação do telejornalismo: "Já tinha o jornalismo impresso, o radio, mas quem levou o jornalismo para a televisão foi o Armando, além de tudo ele levou o conceito de rede. E acho que o jornalismo mais impactante hoje é o da televisão”.
Daniel Filho: conselheiro
O diretor Daniel Filho disse que nos últimos 30 anos Armando Nogueira teve papel importante na sua vida profissional e também pessoal.
“Eu tive a honra de ter o Armando como conselheiro meu. O Armando deixa esse buraco na nossa vida, o conselheiro, da palavra certa, não só na escrita. Para mim o Armando não foi, ele deixou tudo na minha cabeça e no coração de seus amigos”.
'Ele chamou Garrincha de Anjo das Pernas Tortas', diz Bial
Muito comovido, o jornalista Pedro Bial, que teve Armando como seu primeiro chefe, disse que foi como se tivesse perdido um pai.
"Ele conseguia ver além do jogo de futebol. O drama que se desenrola além do placar. Foi ele quem ele chamou Garrincha de Anjo de Pernas Tortas!", lembrou o jornalista.
Galvão Bueno: 'O comandante decolou'
Em entrevista por telefone ao programa "Redação Sportv", Galvou Bueno resumiu: "O comandante decolou".
"Ele tinha paixão por ultraleves. Sempre foi nosso mestre. Quando chegar nossa vez, o caminho estará pronto, ele nos dará todas as instruções. Aprendi demais nessa amizade fraterna durante os últimos 30 anos", disse Galvão.
Leia também as palavras de Zico e Zagallo em homenagem à Armando.
'Ele admirava a palavra', diz Silio Boccanera
"Ele admirava a palavra." Foi assim que o jornalista Sílio Boccanera, da TV Globo, definiu o amigo Armando Nogueira, que morreu na manhã desta segunda-feira (29). No Twitter, também já há homenagens ao comentarista esportivo.