O CADA MINUTO conversou ontem com o repórter Roberto Cabrini, do SBT, após o pedido de desagravo feito a OAB Alagoas pelo advogado Daniel Fernandes, que representa os monsenhores Luiz Marques, gravado fazendo sexo com um jovem, e Raimundo, também acusado de atos de pedofilia.

O jornalista foi o responsável pela produção e apresentação do Programa Conexão Repórter, do SBT, que denunciou o caso. O programa teve repercussão mundial e ontem até o vaticano se manifestou após a publicação do caso em vários jornais da Europa e Estados Unidos.

Cabrini não gostou da atitude do advogado, que alega que foi diretamente ofendido no exercício da profissão, ao ser acusado pelo jornalista Roberto Cabrini de ter ameaçado e manipulado testemunhas, bem como em razão de ter seu escritório de advocacia violado.

“Quando a gente estava investigando os jovens denunciaram que estavam sofrendo ameaças. O que nós fizemos?... checar se procedia ou não. Então, eles se propuseram a gravar toda conversa com o advogado e isso foi feito, confirmando a veracidade das ameaças”, disse Cabrini.

O repórter, que é nacionalmente conhecido pelas matérias investigativas, foi enfático ao afirmar que a gravação que foi autorizada pelos denunciantes é legítima, verdadeira, correta e auto-explicativa.

“Após ter a gravação, percebemos que eles corriam risco de morte. A gravação é auto-explicativa. Os jovens não são clientes dele. O advogado induziu para que eles falassem uma mentira para o repórter. Esse negócio de mandar mentir é tão grave quanto às ameaças dele”, explicou o jornalista.

Cabrini enfatizou que está acompanhando todo o desenrolar do caso e confirmou que enviou produtores para averiguar vários fatos novos, inclusive alguns deles veiculados pelo CADA MINUTO e não descarta a produção de um novo programa.

O CADA MINUTO, inclusive, constatou que a primeira equipe já se encontra em Arapiraca desde o início da semana e que já levantou várias novidades sobre o caso.

OAB e repercussão mundial
Sobre sua atuação no episódio, o advogado Daniel Fernandes alegou, em reunião com o presidente da OAB/AL, que agiu estritamente dentro do que permite a legislação brasileira, sobretudo o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94).

Ele disse, ainda, que como advogado representou e defendeu com zelo os interesses de seu cliente (monsenhor Luiz Marques Barbosa), na formalização de um contrato particular que teve como objetivo resguardar o sigilo de imagens íntimas captadas de forma clandestina por Fabiano da Silva Ferreira, Cícero Flávio Vieira Barbosa e Anderson Farias Silva, todos maiores de idade e capazes.

O advogado Daniel Fernandes também alegou que não existiu qualquer tipo de coação ou ameaça para que formalizassem o contrato o que, segundo ele, se comprova pelo fato de também eles terem sido assistidos na formalização do pacto pelo advogado João Pereira Júnior.

“Em nenhum momento acobertei crimes, ameacei testemunhas ou vítimas ou manipulei informações. O contrato foi firmado entre pessoas maiores de idade e nas imagens não existia nenhum tipo de crime previsto na legislação brasileira”, afirmou.

O CADA MINUTO procurou o presidente da OAB-AL, Omar Coelho, mas ele não quis se manifestar ainda sobre o caso. “Ainda é cedo para qualquer tipo de manifestação. Estamos avaliando a atuação do advogado no caso e depois decidiremos qual posição tomar”, explicou ele.

Descrição do diálogo
Abaixo, a transcrição do diálogo entre o advogado Daniel Fernandes e os jovens, filmados pela produção do SBT. Cícero Flávio, que foi o primeiro a ser contactado pelo advogado, autorizou toda gravação durante a conversa.

 

Flávio – Alô?
Daniel Fernandes – Cadê você?
Flávio – Ô Doutor Daniel, tão me seguindo...Tão me seguindo.
Eu não vou poder ir pra aí, não. To morrendo de medo.
Daniel Fernandes – Quem disse que ‘tão’ lhe seguindo?
Flávio – Oi?
Daniel Fernandes – Quem disse que ‘tão’ lhe seguindo?
Flávio – Minha mãe é que me falou. Que ‘tão me filmando eu’.
Daniel Fernandes – Tão lhe filmando? Só tem um carro aqui deles.
Eu já tive com eles. Vem aqui ‘pro’ escritório.
Flávio – O que é que eles querem?
Daniel Fernandes – É sobre aquele assunto.
Flávio – Mas eu tô com medo. Eles devem ‘tá aí’ atrás do Senhor.
Daniel Fernandes – Não ‘tá’ não, rapaz. Meu carro nem tem placa pra eles ‘tarem’ atrás.
Flávio – Oi?
Daniel Fernandes – Meu carro ‘tá’ até sem placa. Eles não têm nem como ‘tá’ atrás de mim. Venha pra cá pro escritório.
Flávio – Eu tô morrendo de medo. Eu acho... Não é melhor a gente conversar amanhã, não?
Daniel Fernandes – Venha pra cá.
Flávio - Não é melhor a gente conversar amanhã, não?
Daniel Fernandes – Não, tem que ser agora. Eu preciso com você agora. Venha pra cá. Daqui, a gente vê o que, que faz. Venha pra cá, agora.
Flávio – Certo. Certo. Certo
Daniel – Venha pra cá, agora. Não fale mais com ninguém. Venha pra cá, agora. Não diga pra ninguém que ‘tu’ ta vindo pra cá.
Daniel – Mas pensem bem até onde vocês vão levar essa história, porque se isso desanda pra botar no freio é difícil. E outra... Todo mundo sai prejudicado e vocês muito mais. Porque é uma coisa, e eu espero, ainda tenho fé que isso vai morrer...Vai esfriar. É... Mas vão carregar uma coisa pro resto da vida que não faz sentido.


Em seguida, o também ex-coroinha Fabiano Ferreira, que aparece em imagens mantendo relações sexuais com o Monsenhor Luiz Marques é chamado para comparecer ao escritório durante a madrugada. Ele também autorizou a gravação da conversa.

Daniel Fernandes – Aquele repórter famoso, o Roberto Cabrini.
Fabiano – Roberto Cabrini, né?
Daniel Fernandes – É...Ele ‘teve lá na casa do Monsenhor , que o recebeu. Não sabia quem era. Ele comentou sobre o assunto. Tiveram depois na casa do Monsenhor Raimundo. Lá, eu já tinha feito contato com ele e cheguei a tempo. Intermediei a conversa. E a história que a gente sabe é que o padre faz isso. Ele falou: “O que é que você tem a dizer? Ele fez com você?”. Eu disse: “não, jamais”. Comigo não fez, então não tenho o que falar. Então é pra negar tudo? Não... É só não dar conversa. Eles têm um jeito de ir perguntando... De ir questionando. Logo na primeira eu disse: Não, não é comigo. Eu não tenho nada a falar sobre esse assunto. Não conheço, não sei e não quero tratar sobre isso. Não é comigo. Não tenho nada pra falar sobre isso.
Então, tome cuidado porque se vocês entrarem numa dessas, o prejuízo pra vocês é maior do que pra todo mundo. Por que é o seguinte... Se esse negócio for um pouco mais pra frente, ai eu vou tomar as providencias que eu já tinha que ter tomado desde o início.