Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro do estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, suspeito de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e seu filho Raoni, 25, deve alertar as autoridades públicas. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), as informações podem ser fornecidas através do 181, o Disque Denúncia. O denunciante ainda pode comparecer à delegacia de polícia mais próxima.

O Disque Denúncia é uma central telefônica que recebe informações sobre crimes e problemas de segurança pública no Estado de São Paulo. Quem ligar para o 181 terá sigilo absoluto sobre sua identidade e anonimato. Quem estiver em outros Estados deve ligar para (11) 3188-4130.

A denúncia possui garantia de sigilo absoluto e anonimato, e o denunciante poderá acompanhar as providências adotadas a partir de senha recebida após a denúncia. As ligações são gratuitas e o serviço funciona 24 horas por dia, inclusive nos feriados.

Policiais da SIG (Setor de Investigações Gerais) da Delegacia Seccional de Osasco (na Grande São Paulo) procuram na manhã deste domingo pelo suspeito de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Equipes percorrem os possíveis locais onde Nunes costumava frequentar. Ele mora com os avós paternos numa área de classe média alta no Alto de Pinheiros (zona oeste de São Paulo).

A polícia também procura o motorista que dirigia um Gol cinza e fugiu com o suspeito depois do crime. Cadu deve ser indiciado por duplo homicídio doloso (com intenção), e o outro suspeito, ainda não identificado, deverá responder por envolvimento no crime.

Ontem (13), a polícia descobriu quem é o dono do veículo. O nome dele não foi divulgado à imprensa para não dificultar sua apresentação à delegacia --o que já está sendo negociado.

Investigadores já falaram com a família do motorista do carro e negociam a apresentação dele. A polícia chegou até o motorista --que também é o proprietário do carro-- pela placa do veículo. Com a lataria amassada, o carro foi encontrado ontem em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, próximo a casa da mãe do proprietário do veículo.

Segundo o delegado Archimedes Cassão Veras Junior, responsável pelo caso, ele é um jovem paulistano. De acordo com o delegado, policiais foram até a casa do suspeito, mas ele não estava. Logo depois, um advogado se apresentou em nome da família para negociar as condições para que o jovem se entregasse.

Uma das exigências feitas pela família é que ele se apresente em outra delegacia que não seja a seccional de Osasco --onde as investigações estão centralizadas--, porque teme o assédio da imprensa e de curiosos.

Segundo o delegado, o suspeito deve se entregar no início desta semana. A principal questão da polícia é identificar qual foi a efetiva participação dele no episódio -se apenas deu carona a Carlos Eduardo, conhecido como Cadu, sem saber de suas intenções ou se sabia das intenções do autor dos tiros.

Caso

O cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25, foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada de sexta-feira (12).

Segundo as testemunhas, o suspeito chegou ao local e rendeu a enteada de 30 anos, que mora em uma casa no mesmo terreno. Glauco e a mulher Bia ouviram gritos, foram ao quintal, e começaram a conversar com Nunes.

Ele era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.

Segundo o relato das testemunhas, Cadu, como era conhecido o estudante, delirava e queria levar todos para a casa de sua mãe, em São Paulo, com o objetivo de afirmarem à mulher que ele era Jesus Cristo. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca.

Glauco tentou negociar com Nunes para ir sozinho, e chegou a ser agredido. De acordo com o delegado Archimedes Veras Júnior, responsável pela investigação, Glauco não reagiu.

No meio da discussão, porém, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Cadu atirou contra pai e filho, mas os motivos ainda não foram esclarecidos. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram.

Enterro

Os corpos do cartunista e de seu filho Raoni foram enterrados na manhã de sábado (13), no cemitério Gethsêmani Anhanguera, zona norte de São Paulo.

A viúva de Glauco, Beatriz Galvão, conhecida como Madrinha Bia na igreja que liderava ao lado do marido, estava inconsolável e abatida, apesar de confortada por amigos. Houve comoção durante a cerimônia, o caixão do cartunista da Folha ficou coberto com um bandeira do Corinthians, e posteriormente com outra do Santo Daime, que contém uma cruz e uma estrela de seis pontas); o caixão de Raoni levava uma bandeira do São Paulo.

Durante toda a cerimônia fúnebre, fiéis daimistas entoaram os cânticos do Santo Daime, especialmente os contidos nos hinários compostos por Glauco.

O cortejo com os corpos chegou ao cemitério às 9h30. O velório começara quase 18 horas antes, na tarde de sexta-feira (12). Ocorreu na igreja Céu de Maria, da qual Glauco é fundador. A igreja ficava ao lado de sua casa e do local em que foram assassinados Glauco e seu filho, Raoni.