A casa está cercada. Lá dentro, um criminoso mantém um refém. A negociação chega à exaustão. Sem acordo, a vítima está prestes a ser ferida ou até morta. Não há mais tempo a perder. Explosivos são colocados na porta — tudo pronto para a invasão. Pelo radiotransmissor, o chefe da operação dá a ordem: “Cinco, quatro, três... Sniper!”. A bomba explode, a porta cai e o local é tomado pelos agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), grupo de elite da Polícia Civil.

A simulação de invasão é uma das muitas ações treinadas pelos policiais para combater os criminosos no dia a dia violento do Rio. Mas agora, já de olho na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, o grupo — formado por pouco mais de 400 agentes — intensifica os treinos, que incluem até ações contra o terrorismo. Também participam dos treinamentos agentes do Esquadrão Antibomba e do Serviço Aéreo Espacial (Saer), que tem um helicóptero blindado.

“Em função dos eventos internacionais, estamos buscando treinamentos mais específicos, principam entre as retomadas de ambientes confinados (invasão de locais fechados tomados por bandidos). Isso está acontecendo desde o Pan (Jogos Pan-Americanos de 2007)”, explica o chefe de operações táticas especiais da Core, Wagner Franco, 38 anos.