O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, refutou que o Brasil não queira se juntar a um consenso que condena o programa nuclear iraniano, acusado de ter fins militares e visar a fabricação de uma bomba atômica. Em entrevista coletiva ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, nesta quarta-feira (3) em Brasília, ele disse:

- Não se trata do Brasil se recusar a se juntar a um consenso. Cada país, como cada pessoa na vida, tem que pensar com sua cabeça.

No entanto, ele relativizou e disse que Brasil e Estados Unidos têm os mesmo objetivos ao final:

- Nosso objetivo é o mesmo, queremos um mundo sem armas nucleares e onde não existe proliferação. A questão é saber o caminho para chegar lá, as sanções. Nesse aspecto nossas avaliações podem não ser idênticas, mas isto não nos impediu de trocar idéias com muita franqueza sobre tais questões.

Amorim ainda afirmou sobre o Irã:

- Em um país como o Irã, será difícil que se conforme com uma atuação que algo seja imposto a ele.

Pouco antes, ele também afirmou:

- A questão sobre o programa nuclear do Irã é complexa. Nós acreditamos que há ainda a possibilidade de chegar a um acordo em função desse acordo que foi proposto. Talvez isso exija um pouco de flexibilidade de parte a parte. Essa é uma avaliação nossa, estamos abertos a ouvir opinião de países amigos, como os EUA, mas não podemos nos curvar. Não podemos ser levados, se há um grupo importante pensando assim.

Amorim também disse claramente que a política interna iraniana afeta este tipo de decisão. Ele citou sua experiência como embaixador do Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas), quando se discutia as possíveis armas de destruição em massa que estariam sendo desenvolvidas pelo Iraque para falar sobre sanções:

- Como embaixador da ONU, presenciei o processo de acusações contra o Iraque em 2003 e a ameaça não se concretizou, mas o prejuízos causados pelo mundo foram enormes. A secretária de Estado disse inclusive que as sanções seriam uma forma de evitar prejuízos.

Em seguida, ele disse que as idéias e inspirações que motivaram a proposta de negociação com o Irã podem possibilitar uma nova chance para conversar com o país.