Morreu na manhã deste domingo o empresário e bibliófilo José Mindlin, de 95 anos, em São Paulo. Ele estava internado há um mês no Hospital Albert Einstein e o enterro está marcado para a tarde deste domingo no cemitério israelita de Vila Mariana. Mindlin era o maior colecionador de livros do Brasil e possuia uma das maiores bibliotecas particulares do país com mais de 38 mil títulos reunidos desde que Mindlin tinha 13 anos. Parte de sua coleção foi doada pelo intelectual ainda em vida para a Universidade de São Paulo (USP). Mindlin era membro da Academia Brasileira de Letras desde 2006.

Marcos Vilaça, presidente da ABL, declarou luto de três dias na academia e manifestou seu pesar pela morte do membro ocupante da cadeira de número 29. "Mindlin era um emblema do livro, tinha com ele uma relação orgânica. Lembro com saudade o dia em que estivemos juntos, com Evanildo Bechara, na inauguração do Museu da Língua, em São Paulo, e eu lhe fiz o convite para ingressar na Academia. Vamos sentir muito a sua falta", disse em comunicado.
Míriam Leitão: Mindlin, o empresário iluminista, o doador de livros

Filho de judeus ucranianos, José Ephim Mindlin nasceu em São Paulo no dia 8 de setembro de 1914. Formado em Direito, foi redator do jornal "O Estado de S. Paulo" entre 1930 e 1934. Atuou como advogado até o começo da década de 50, quando fundou a fábrica de peças automotivas Metal Leve S/A, da qual era presidente. Viúvo de Guita Mindlin, o empresário deixou quatro filhos, netos e bisnetos.

Em 2006, Mindlin foi eleito a personalidade do ano no Prêmio Faz Diferença, concedido pelo GLOBO, e aproveitou a ocasião para se reafirmar otimista com relação ao Brasil, além de declarar que os livros podem ajudar a salvar o país das garras da violência.

Personalidade atuante em diversos meios como o cultural, da educação, na economia, da política, da ciência e empresarial, José Mindlin publicou "Uma vida entre livros - reencontros com o tempo e memórias esparsas de uma biblioteca" e lançou um CD de poesia.