Durante audiência pública que durou seis horas, na Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (26), o diretor de Relações Institucionais da Metrô Rio, Joubert Flores, e o secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, garantiram que o modelo de intercessão de linhas em forma de "Y", implantado no Rio e questionado por alguns deputados, é uma realidade em diversas partes do mundo e é segura.
- É preciso que fique bem claro que esse novo processo de ligação entre Pavuna e Botafogo, utilizando a mesma malha dos trens que fazem o trajeto General Osório (Ipanema) - Saens Peña (Tijuca), é utilizado em diversas cidades do mundo com muito sucesso - ressalvou Lopes. Ele citou como exemplos os metrôs de Londres, Paris e Nova York.
Trens novos só em 2011
Quanto aos problemas de superlotação, aumento do intervalo de tempo entre as composições e o forte calor dentro dos vagões, o representante do metrô reconheceu que só serão definitivamente solucionados com a chegada dos novos vagões, no primeiro semestre de 2011.
Presidente da Comissão de Transportes, o deputado Marcelo Simão (PSB), ressaltou:
- A situação é complexa e precisa ser debatida. O Metrô Rio admite, por exemplo, que, com a fusão das duas linhas a partir da nova ligação, ficou difícil cumprir as metas estabelecidas no contrato para o tempo de intervalo tanto para a Linha 1, de 4,45 minutos, quanto para a Linha 2, de 6,30 minutos.
Simão determinou que seja entregue à comissão, até a próxima segunda-feira (1), um estudo de viabilidade técnica e operacional feito pela Secretaria de Transportes.
Falta de investimento do governo
Joubert Flores lembrou que a concessionárias está operando o metrô desde 1998 e que "de lá para cá, o percurso cresceu, estações foram inauguradas e a frota ficou do mesmo tamanho, porque os governos anteriores não fizeram os investimentos que eram de sua responsabilidade".
Segundo ele, só não são colocados mais carros porque a empresa não tem.
- Em 2007, renovamos o contrato e passamos a ter o direito de investir. Então, foram compradas 19 novas composições, que começarão a chegar em 2011, aumentando a frota em 63% - afirmou Flores, que classifica como aceitável o intervalo de 5,30 minutos entre as composições, que vigora hoje nas duas linhas.
Também presente à audiência, o presidente da Agetransp, Luiz Antonio Barbosa, admitiu que é preciso rever os números.
- No caso do tempo de espera entre os trens, precisamos de uma posição do poder concedente. Para isso, estamos marcando uma reunião entre a agência e a Secretaria de Transportes, para discutirmos esses pontos. Antes da homologação, não podemos atribuir nenhuma penalização.
Julio Lopes acrescentou que, como o que se tem agora é a ligação direta entre as linhas 1 e 2, será necessário fazer um estudo para a definição de um outro tempo de espera entre as composições que estão trafegando pelo novo trajeto interligado.
- Por isso, precisamos de uma nova homologação - admitiu Julio Lopes, que marcou para a próxima segunda-feira uma reunião com a Agetransp, para formular números diferentes dos atuais.
Concessão até 2038
Os problemas no metrô aumentaram depois das obras que acabaram com a transferência entre as duas linhas na estação Estácio. Inicialmente, a concessão da Metrô Rio iria até 2018. Por causa das obras realizadas, o prazo foi estendido até 2038, ou seja, por mais 20 anos.
Joubert Flores informou que, enquanto em 2007 e 2008 foram investidos apenas R$ 25 milhões por ano, em 2009, o Metrô Rio investiu R$ 360 milhões. Com relação às condições de acessibilidade, ele disse que a empresa está investindo R$ 15 milhões para tornar todas as estações acessíveis até o final deste ano.