Sexo e drogas. Não é a primeira vez que a associação é feita, mas provavelmente nunca gerou tanta polémica. Uma campanha antitabágica que relaciona estas duas ideias está a gerar conflito, na França.

A publicidade link externo em causa mostra adolescentes ajoelhados com um cigarro na boca, em pose que sugere a prática de sexo oral forçado com um adulto e está a gerar controvérsia no seio da sociedade francesa.

A campanha, lançada pela Associação Direitos de Não Fumadores (DNF), tem como slogan «Fumar é ser escravo do tabaco» e o objectivo da organização é «mostrar que o fumo é uma submissão».

No entanto, a ideia não foi entendida da mesma forma por inúmeras associações ligadas à família, aos direitos das crianças e feministas que se dizem «escandalizadas» com a associação feita entre o cigarro e o sexo, na mensagem dirigida aos jovens.

Nas fotografias que sugerem a prática de sexo oral, o órgão sexual masculino é sugerido pelo cigarro, uma imagem que tem chocado a opinião pública, como pretendiam os publicitários responsáveis pela campanha.

«Com o cigarro, somos submetidos à pior das submissões, à pior das escravidões. Procuramos a imagem chocante mais emblemática disso. A felação é o símbolo perfeito da submissão», defendeu Marco de la Fuente, vice-presidente da agência BDDP, que realizou a campanha antitabágica.

«Um atalho ridículo e escandaloso»

A ideia não é partilhada por Christiane Terry, representante da Associação Famílias da França, que defende que misturar o vício do fumo e o sexo «é um atalho ridículo e escandaloso» e diz-se preocupada «com o baixo nível [da campanha] para defender uma causa justa».

Também as organizações ligadas à defesa dos direitos das crianças e adolescentes condenam a publicidade, questionando as consequências que essas imagens podem ter sobre vítimas reais de abusos sexuais.

Com indignação foi também a forma como reagiram as associações feministas. Para a presidente da associação feminista Chiennes de Garde «é escandaloso associar o vício do fumo à sexualidade, fazer um paralelo entre uma droga nociva e o desejo sexual. A conotação de violência sexual é inadmissível. É uma campanha sexista», afirma Florence Montreynaud.

Já a fundadora do Movimento para a Liberação das Mulheres ridiculariza a campanha: «Que eu saiba, uma felação não provoca cancro», disse em entrevista ao jornal Le Parisien Antoinette Fouque.