O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Haiti nesta quinta-feira (25) para reforçar o compromisso do Brasil com o país caribenho, devastado por um forte terremoto em 12 de janeiro que deixou pelo menos 217 mil mortos.

O Brasil comanda desde 2004 uma missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no país e, depois da tragédia, se tornou um dos principais agentes de sua reconstrução, ao lado dos Estados Unidos e da França, antiga metrópole do que é hoje a mais pobre nação das Américas.

Logo em sua chegada, o presidente sobrevoará Porto Príncipe de helicóptero, como fizeram outros governantes que já visitaram o país, o que lhe permitirá ter uma visão geral dos danos causados pelo terremoto.

Depois, Lula participará da cerimônia de formação das tropas brasileiras da Missão de Estabilização das Nações Unidas (Minustah), liderada pelo Brasil, e almoçará com seus integrantes.

O terremoto levou o governo brasileiro à decisão de dobrar o número de militares que mantém por lá, de 1.300 para 2.600. Além das tropas adicionais, o Brasil abriu o cofre para ajudar os haitianos: R$ 375 milhões, ao todo, até agora.

O dinheiro do Brasil destinado ao Haiti, segundo relatório divulgado pelo Itamaraty, foi distribuído da seguinte forma: R$ 205,05 milhões para o Ministério da Defesa, R$ 135 milhões para o Ministério da Saúde, R$ 35,5 milhões para o Ministério das Relações Exteriores (essa quantia inclui os US$ 15 milhões doados pelo governo ao país, que é administrado pela ONU).

Em entrevista ao R7, o General Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) disse que o país terá de colocar ainda mais dinheiro no Haiti.Segundo Félix, serão necessários mais recursos para ações de longo prazo no Haiti, como o desarmamento de gangues, que vem sendo feito desde 2004, a recuperação dos mais de 5.000 prisioneiros que fugiram das cadeias do país e a implantação de um sistema de saúde, que não existia antes do terremoto.

Ele disse também que o Brasil prepara um pacote de ajuda que está sendo montado pela Agência Brasileira de cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, e engloba projetos que estavam funcionando antes do terremoto:

- O presidente Lula vai apresentar um cardápio de projetos para o presidente [do Haiti] René Préval e só será implantado o que for de interesse do Haiti. Tínhamos um sistema de manipulação de vacinas, resfriadas, que se perdeu. Uma das propostas do Ministério da Saúde é reestruturar o sistema das vacinas para funcionar como estava antes.

Lula quer fortalecer governo haitiano

Além das ações emergenciais, o Brasil está empenhado em uma série de projetos no Haiti, que incluem a construção de uma hidrelétrica (Artibonite 4), de escolas e de cisternas, além da concessão de bolsas de estudo.

Depois de almoçar com os militares brasileiros, Lula visitará o hospital da Força Aérea Brasileira. Após estas visitas, deve se reunir na base brasileira com o presidente haitiano e com o primeiro-ministro, Jean Max Bellerive.

Lula, durante seu discurso da última terça-feira na cúpula do Grupo do Rio, no México, pediu apoio ao governo Préval e ressaltou a obrigação da região de ser solidária com o Haiti.

- É necessário fortalecer o governo eleito democraticamente no Haiti (...) todos estão governando o Haiti salvo o presidente eleito democraticamente.

Após a reunião com Préval e Bellerive, Lula partirá com destino a El Salvador, próxima etapa viagem à América Central e ao Caribe.