O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse nesta quarta-feira (24) que saiu “comovido com o apelo” dos partidos da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele dispute o governo de São Paulo e desista da candidatura à Presidência. Representantes do PT, PDT, PCdoB e do PSB se reuniram hoje com o deputado.

- Tentado não fiquei, fiquei comovido com o apelo.

Ciro cogitou lançar candidatura no Estado se o “projeto nacional” de Lula for prejudicado. O deputado disse que 11 partidos tentam convencê-lo e que mudou o título para São Paulo porque havia um cenário [de candidatura em São Paulo], atendendo a um apelo de Lula e do PSB.

- Quando atendi ao apelo do presidente Lula e do meu partido para mudar o título havia um cenário. De repente, o cenário nacional precisa de uma engrenagem, ainda que modesta, para funcionar. Se precisar, eu aceitaria o desafio.
 

Antes de bater o martelo sobre o destino de Ciro nas eleições de 2010, o PSB vai fazer mais duas reuniões. A próxima deve ocorrer daqui a 15 dias em São Paulo e a definição dos rumos do partido será anunciada formalmente dia 4 de abril, em Brasília.

Ciro afirmou que entende a “ansiedade” dos partidos da base de apoio do governo Lula pela definição do quadro de São Paulo, pois a presença de seu nome nas listas de sondagem pré-eleitoral pulveriza votos entre os candidatos do PT e do PSDB.

O deputado afirmou também que é “melhor candidato” que a escolhida do presidente Lula para representar o PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

- Eu sou muito melhor candidato que todos que estão aí. A Dilma é extraordinária, mas não tem o histórico de 20 anos de eleições que eu tenho.

Apesar de afirmar que o PT tem pelo menos quatro nomes fortes para concorrer ao governo de São Paulo (Marta Suplicy, o ministro da Educação Fernando Haddad, o deputado Antonio Palocci e o senador Aloizio Mercadante), Ciro afirmou que por “prudência” os petistas insistem em sua candidatura.

Dos 16 líderes que se reuniram hoje com o deputado do PSB, 14 são de São Paulo. Eles argumentam com Ciro que uma candidatura estadual pode ser mais competitiva.

Ciro, publicamente, vem resistindo à ideia de sair candidato a governador em São Paulo. Os partidos da base do governo Lula, no entanto, pressionam para que ele desista da Presidência para não pulverizar votos e acabar com a possível polarização entre os pré-candidatos do PT, Dilma Rousseff (Casa Civil), e do PSDB, José Serra (governador de São Paulo).

O PT entrou em acordo com o PSB para voltar a discutir em março uma possível aliança nacional entre as legendas. Ciro afirmou em diversas ocasiões que não aceitaria disputar o governo de São Paulo ou ser vice de Dilma na chapa do PT.