Eram 16h53 do último dia 12 de janeiro em Porto Príncipe quando um tremor de magnitude 7 sacudiu o solo da capital haitiana com a força de 30 bombas atômicas como a de Hiroshima, destruindo boa parte das edificações, matando centenas de milhares de pessoas e deixando outras tantas feridas, soterradas, desabrigadas.

 

Cobertura completa: terremoto no Haiti

 

Passado um mês da tragédia, brasileiros que vivem ou estão no Haiti relatam ao G1 a situação do país, o mais pobre das Américas, que depende hoje ainda mais da ajuda internacional. Falam de “destruição”, “necessidades”, “traumas”, mas também sobre “colaboração”, “força” e “tenacidade” de um povo já assolado por outras tragédias. A gente encontra pessoas com várias necessidades de todas as ordens, seja em nível físico, psicológico ou material. Isso para mim é muito forte porque infelizmente foi o encontro de uma catástrofe humana com uma catástrofe natural”, diz a psicóloga gaúcha Débora Noal, da equipe da organização internacional Médico Sem Fronteiras, que chegou ao Haiti menos de 48 horas após o terremoto.


A psicóloga, que já havia atuado no Haiti em 2008, no socorro às vítimas de furacões e tempestades tropicais que atingiram o país, afirma no entanto que, aos poucos, os haitianos tentam retomar a rotina. “O cenário já mudou bastante, estamos chegando numa fase que a gente chama de estabilização de ambiente, o que não quer dizer que ainda não seja urgente, mas uma fase mais estável em que a população tenta voltar a uma rotina, que certamente não vai a mesma que elas tinham antes do trauma.”Para o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, ainda é cedo para prever em quanto tempo o país retomará a rotina normal. “Seria prematuro fazer qualquer previsão sobre o futuro enquanto não houver uma avaliação precisa de todas as perdas. Há ainda muitos cadáveres sob os escombros.”

 

Ao mesmo tempo, ele observa o início de uma fase de reconstrução do país. “Muito mais que ajuda alimentar, o haitiano precisa de emprego e renda. A catástrofe de certa forma dá uma grande oportunidade ao Haiti de renascer e se reconstruir melhor do que estava antes, com apoio da ajuda internacional e com o duro trabalho e o suor dos haitianos, que nunca se recusaram a isso.”