A Secretaria de Saúde do Amapá abriu uma sindicância para investigar a morte de bebês no Hospital da Mulher Mãe Luzia, em Macapá. De acordo com a direção do hospital, foram registrados óbitos de nove crianças entre sexta-feira (5) e domingo (7). Desde o dia 26 de dezembro até 9 de fevereiro ocorreram 26 mortes de recém-nascidos.

O diretor geral do hospital, Dilson Ferreira da Silva, explicou ao G1 que a maioria dos bebês que morreram já estava internada no hospital há algum tempo, em estado delicado. Ele ainda atribui as mortes à falha do serviço público no acompanhamento das gestantes - muitas delas adolescentes.

“Dos nove bebês, dois nasceram no início de dezembro, mas acabaram morrendo nesse fim de semana. Outros sete eram prematuros extremos, com baixo peso, alguns com menos de 1 quilo. Muitas mães não fazem o pré-natal e não temos uma boa qualidade desse exame nos municípios. Tudo isso leva à gravidez de alto risco e às consequências dela”, afirmou Silva.
Segundo ele, por dia, nascem 25 crianças na maternidade, que é a única pública do estado.

Além da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Amapá (OAB/AP), o diretor afirmou que representantes do Conselho Estadual de Saúde e do Conselho Regional de Medicina visitarão o hospital para fazer uma avaliação das instalações.

“Temos uma UTI com equipamentos adequados, profissionais responsáveis. Já solicitamos melhoria na estrutura, mas com certeza as mortes não foram causadas por falta de equipamentos, remédios ou algo mais grave, com uma infecção”, disse Silva.

Preocupação

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AP, Washington Picanço, o grande número de bebês mortos em um curto período de tempo é motivo de preocupação.

“Além de cobrarmos os resultados da sindicância, vamos solicitar ao Ministério Público uma investigação para verificar se houve negligência ou imperícia médica. Queremos também informações da Comissão de Infecção Hospitalar sobre a causa das mortes, para confirmarmos se de fato não ocorreram por infecção hospitalar”, disse Picanço ao G1.

Para o órgão, a alegação de que as mães não fazem pré-natal não justifica a quantidade de bebês mortos. “A maternidade não foi interditada, então mais mortes podem ocorrer ali”.