Líderes europeus se reunirão quinta-feira em Bruxelas para elaborar um plano de ajuda financeira e expressar sua solidariedade à Grécia, que enfrenta uma crise orçamentária sem precedentes. Uma greve nacional reuniu quarta-feira milhares de funcionários públicos no centro de Atenas, forçando o fechamento de escolas, o cancelamento de voos e a paralisação do transporte ferroviário. Os funcionários protestavam contra os planos do governo de cortar salários e outros gastos para conter o alto déficit público que chega a quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e já ameaça abalar a credibilidade internacional do euro. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Dúvidas sobre a capacidade do governo grego de conter um déficit quatro vezes maior do que o permitido pelas regras da zona do euro vêm provocando temores entre os investidores de que o país não consiga honrar sua dívida, deixando o euro vulnerável e levando a quedas nas principais bolsas de valores do mundo nas últimas semanas. A possibilidade de a Grécia ou um desses outros países não conseguir pagar suas dívidas é considerada a maior ameaça já enfrentada pela moeda única europeia.

Para conter a crise, o governo grego prevê, além do congelamento dos salários dos funcionários públicos, reformas nas pensões e mudanças no sistema tributário. No entanto, muitos investidores internacionais se mantêm céticos e acreditam que o país terá que receber socorro internacional.

Ajuda

Na noite de quarta-feira, o primeiro-ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero, presidente em exercício da União Europeia, garantiu que os países do bloco irão “apoiar” a Grécia em seu combate contra a crise financeira.

– É óbvio que a Grécia precisa de apoio. E a Europa vai apoiá-la – declarou, sem especificar a natureza deste apoio. – Precisamos de uma resposta unida em toda a Europa. É óbvio que a Espanha ajudará.

A reunião de quinta-feira é vista como uma oportunidade de a UE demonstrar sua capacidade para resolver problemas isolados que podem acabar prejudicando a todos da zona do euro.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa europeia, a Alemanha é o país que mais defende a ajuda financeira imediata à economia grega. Segundo a imprensa europeia, a Alemanha planeja propor uma “parede de contenção” do bloco para possivelmente garantir os pagamentos dos empréstimos gregos e acalmar os mercados.