O Irã iniciou nesta terça-feira (9) o processo de enriquecimento de urânio a 20% na usina de Natanz, no centro do país, sob a supervisão de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU. O anúncio do começo da operação foi feito pelo canal de televisão oficial iraniano em língua árabe Al Alam.
"O enriquecimento a 20% começou na instalação de Natanz sob a supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, um órgão da ONU)", disse o dirigente nuclear Ali Akbar Salehi em Natanz, segundo a TV estatal.
Salehi disse que o Irã montou uma cadeia de 164 centrífugas para produzir o urânio a 20%. De acordo com ele, a capacidade é de enriquecer entre 3 a 5 quilos do material por mês, bem acima do 1,5 quilo de que o país necessita, segundo a agência de notícias Isna.
O Irã atualmente enriquece urânio a 3,5%. Para o uso em bombas, é preciso enriquecer (purificar) o material a 80%. O Conselho de Segurança da ONU já impôs três pacotes de sanções para pressionar o Irã a parar o enriquecimento de urânio, mas o país argumenta ter direito legítimo a fazê-lo e nega intenção militar.
Uma nova resolução da ONU, no entanto, precisaria ter aval da China, que resiste a novas punições contra o Irã - posição reiterada na terça-feira com um apelo ao diálogo, que "ajudaria a resolver apropriadamente a questão nuclear do Irã", segundo um porta-voz da chancelaria em Pequim.
Diplomatas dizem que eventuais alvos das sanções seriam o Banco Central, a Guarda Revolucionária, empresas de navegação e o setor elétrico.
De acordo com o governo, o Irã tomou a decisão em consequência do bloqueio das discussões a respeito da entrega de combustível nuclear para enriquecimento fora do país, e que seria devolvido ao Irã para ser usado em um reator de pesquisa médica. Teerã afirmou, no entanto, que a porta continua aberta para uma troca de urânio com as grandes potências.
A discussão sobre a questão nuclear iraniana se agravou no final do ano passado, depois que Teerã rejeitou uma proposta de Washington, Paris e Moscou para enviar seu urânio enriquecido a 3,5% ao exterior e recebê-lo depois, enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter seu reator nuclear civil na capital em operação. O Irã afirma ser a favor da troca, mas exige que ela seja feita em seu território e de maneira escalonada, condições que os outros países não aceitam.
As autoridades iranianas afirmam que precisam de 120 quilos de urânio enriquecido para manter o reator em operação e exigiram isso da Agência Internacional de Energia Atômica, como é direito do Irã por ser signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Segundo as autoridades iranianas, o reator do país foi criado para produzir isótopos para o tratamento de câncer.