O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) vai pedir ao Senado para que o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga no STM (Superior Tribunal Militar), seja ouvido novamente pela Casa para esclarecer declarações a respeito do ingresso de homossexuais nas Forças Armadas.
Durante sabatina realizada nesta quarta-feira na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, o general disse que os gays não têm trabalho "compatível" com as Forças Armadas.
Na sabatina, o general disse que "a vida militar se reveste de características que podem não se enquadrar em quem tem esse tipo de comportamento". O general disse que não vê problemas na presença de gays se mantiverem a "dignidade e a honra". "Mas não vejo que é compatível com o trabalho nas Forças Armadas", afirmou.
Segundo o general, o "indivíduo homossexual" não consegue estar à frente de uma tropa por não ter características de comando sobre os demais militares. "O indivíduo não consegue comandar o comando em combate, tem uma série de atributos e fatalmente a tropa não vai obedecer. A tropa não obedece indivíduos desse tipo. Estou sendo sincero na minha resposta", afirmou.
Cerqueira Filho disse que optou por falar a verdade na comissão, sem esconder seu real pensamento a respeito do tema. Já o almirante Álvaro Luiz Pinto, também ouvido na CCJ, adotou postura neutra sobre a presença de gays nas Forças Armadas.
"Não tenho nada contra, desde que mantenham a dignidade da farda, do cargo e do trabalho. Se ele mantiver a sua dignidade, sem problema nenhum. Se for ferindo a ética, aí eu não seria a favor", disse Pinto.
Apesar de suas declarações, o nome de Cerqueira Filho foi aprovado por unanimidade pelos senadores que integram a CCJ, assim como de Luiz Pinto. Suplicy disse, porém, que as declarações polêmicas foram feitas depois que a comissão já tinha aprovado o nome do general para o STM.
"Como a Constituição tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, sem preconceito de sexo, cor e idade, quero sugerir que possam de novo comparecer à CCJ para expressar que não estão contrariando a Constituição", disse Suplicy.
Os nomes do general e do almirante têm que ser submetidos ao plenário do Senado para que sejam aprovados para o STM. Suplicy disse que sua ideia é ouvi-los antes que a Casa possa definir sobre as indicações. "Antes de votarmos, esse assunto tem que ser melhor esclarecido", afirmou.
Críticas
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, criticou as declarações do general ao afirmar que são "discriminatórias".
"É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras", afirmou.
Na opinião do presidente da OAB, a defesa do país tem que ser feita por "homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um".