Quem conhece Alagoas sabe de cor e salteado sobre a história da serra grávida de efervescências históricas, resistências aguerridas: Serra da Barriga reconhecida em março de 1988 através do Decreto 95.855, como monumento nacional.
Foi lá em Palmares,na Serra da Barriga que ecoou o grito do Quilombo dos Palmares.
O Quilombo dos Palmares foi a primeira república negra do Brasil. 20 mil habitantes, distribuídos em quatro grandes mocambos chamados: Macaco, Subupira, Zumbi e Tabocas. O Quilombo dos Palmares estava encravado entre a carta de alforria e a igualdade humana.
Quem conhece essas bandas do estado de Alagoas sabe dos inúmeros relevos que compõem a nossa geografia genuína, alagoana, negra, indígena, diversa. Até já ouviu falar de Zumbi, aliás, quem aqui chega por via área é logo recepcionada no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares.
Quem conhece Alagoas já ouviu contar de alguns “causos” de homens e mulheres escravizados ou não que sobreviveram ao ocaso e firmaram-se como grandes expoentes da revolução humana em busca da igualdade social. Maninha, nossa guerreira Xucuru-Cariri, da Mata da Cafurna ,município de Palmeira dos Índios foi, até seus últimos dias de vida, uma aguerrida batalhadora em prol dos direitos de seu povo, dos povos indígenas do Nordeste e do Brasil inteiro.
Em 2005 fez parte da lista de 52 brasileiras indicadas pelo Comitê do Movimento Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005
Vale lembrar que a terra rasgada pelas águas é território de articulação entre a memória africana e histórias contemporâneas: Uma Pequena África!
Quem conhece Alagoas sabe do íntimo agarramento histórico com as raízes do povo banto transitando pela linguagem cotidiana.
Quem conhece bem Alagoas sabe ler a mensagem do espelho d’águas contando histórias das gentes construtoras dessas bandas, como se fosse a biografia de um estado que é feito de encontros de identidades e alteridades que arrebentam fronteiras alargando desafios.
Alagoas é um inventário de alagoanidade, uma imensa carpintaria moldando esboços, novos experimentos do étnico xadrez humano: preto e branco e indígena: Téo Brandão, Ranilson França, Jarede Viana, Maninha Xukuru-Kariri, Vânia Teixeira da favela Sururu de Capote e tantos outros e outras. Oxente! Somos todas as variantes estéticas e identitárias de um quilombo contemporâneo.
Alagoas é feita de sotaques desenhando colchas de retalhos com matizes e texturas humanas variadas.
Alagoas é pincelada de metáforas, símbolos, rachaduras e coragem. Alagoas é valente!!
É terra das gentes faminta por devorar as linhas demarcatórias e discriminatórias que a abolição não-conclusa nos deixou como herança.
Um dia, nós torcemos,as gentes das ruas, dos becos, das favelas, dos barracos, das grotas, grotões, dos interiores dessa nossa pátria Alagoas, tomarão posse da sua parte nesse latifúndio e como num passe de mágica-consciência-cidadã lançarão fora o espartilho político que sufoca sonhos, aprisiona passos à cartilha que conta uma história ultrapassada, represa as águas sociais e afoga as múltiplas possibilidades que temos de crescer.
Não se pode perder de vista que a fonte original da riqueza desse estado é seu povo, então a equação é simples: se somos co-responsáveis, por que continuamos com a nossa servidão doméstica?
Ser alagoana ou alagoano é um estado de alma. Alma guerreira!