Os promotores do Grupo de Atuação Especial do Ministério Público Estadual, que apura a denúncia de uma suposta tortura contra quatro presos, devem concluir a investigação contra dois delegados e inspetores até o início da próxima semana. Os representantes do MP estão analisando os laudos da reconstituição das prisões, realizada no dia 17 de dezembro do ano passado, por peritos da Superintendência da Polícia Federal (PF).

A simulação foi efetivada em clima de total sigilo no haras onde ocorreram as prisões, situado na localidade de Coaçu, no Município de Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza. Ali, supostamente teriam ocorrido as torturas.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Procuradoria Geral de Justiça, o promotor Humberto Ibiapina, um dos integrantes do Grupo Especial do MP, afirmou que os laudos da PF já estão sendo analisados pelo grupo e um relatório com as conclusões do Grupo Especial deve ser elaborado e divulgado à Imprensa.

Na semana passada, o promotor André Karbage afirmou que "a reconstituição foi muito bem-feita". Segundo o representante do MP, a ausência dos delegados e inspetores não prejudicou a simulação. No dia da reconstituição, o delegado Francisco Cavalcante afirmou que não compareceu, pois não "chancelaria a versão de bandidos".

Segundo Cavalcante, foi proposto ao MP uma reconstituição desde o início dos fatos, com o roubo de uma caminhonete pelos quatro presos, mas segundo ele, a sugestão não teria sido aceita pelos promotores.

Na época da reconstituição, o promotor Humberto Ibiapina, que também faz parte do Grupo Especial, afirmou que os trabalhos dos peritos tiveram como base o testemunho do locatário do haras, o preso Francisco da Silva Monteiro.

O procedimento pericial teve início no horário das prisões (no fim da manhã) e se estendeu por aproximadamente três horas. De acordo com André Karbage, os membros do Grupo de Atuação Especial fizeram indagações durante a reconstituição aos peritos. "Vamos esperar as respostas da PF", assinalou.