A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira (1) que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentará um projeto de orçamento para o próximo exercício (outubro 2010-setembro 2011) de US$ 3,834 trilhões, que representa uma alta de 3% nos gastos.
Obama projetou que o déficit orçamentário dos Estados Unidos baterá um novo recorde em 2010, desafiando seus esforços de responsabilidade fiscal em meio ao combate ao desemprego de dois dígitos.
O orçamento para o ano fiscal até o dia 30 de setembro de 2011, que deve ser aprovado pelo Congresso norte-americano, prevê um déficit de US$ 1,56 trilhão em 2010, equivalente a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
Afeganistão
Obama também pedirá US$ 33 bilhões adicionais para financiar o aumento de tropas do país no Afeganistão. Obama havia anunciado em dezembro que enviará mais 30 mil soldados dos EUA para se juntarem os 68 mil que combatem o Talibã na guerra do Afeganistão.
O pedido de US$ 33 bilhões se soma aos cerca de US$ 130 bilhões que o Congresso já aprovou para ser usado na guerra do Afeganistão até 30 de setembro.
A proposta de orçamento de Obama será anunciada oficialmente às 13h (horário de Brasília) e também incluirá um pedido de 159,3 bilhões de dólares para as guerras no Iraque e no Afeganistão para o ano fiscal de 2011, que começa em 1o de outubro.
Espaço
A Casa Brqanca também confirmou o abandono do projeto de programa de voos espaciais tripulados Constellation, que permitiria enviar novamente o homem à Lua.
Os números foram anunciados a jornalistas em uma prévia do orçamento, que será divulgado às 13h (horário de Brasília). O presidente Obama deve discutir sobre a proposta às 13h45.
O novo aumento no déficit se deve em parte a gastos vinculados ao pacote de estímulo fiscal sancionado pelo presidente em 2009. O déficit atual é de US$ 1,41 trilhão, ou 9,9% do PIB. Esse número deve cair a menos da metade até o final do mandato de Obama, em 2012.
A proposta do governo incorpora uma reforma da saúde ainda não aprovada no Congresso. Já a arrecadação de US$ 646 bilhões resultante da limitação de emissões de carbono e comercialização de créditos para esse fim foi retirada da peça orçamentária, num sinal de que o governo duvida da sua aprovação parlamentar.
"Para manter a criação de empregos e manter o crescimento econômico ao longo do tempo, é importante reduzir esses déficits nos anos seguintes," disse a jornalistas Peter Orszag, diretor orçamentário da Casa Branca.
O crescimento dos EUA no quarto trimestre foi de 5,7%, segundo taxa anualizada, mas isso ainda não se refletiu numa queda do desemprego, que está em cerca de 10%, maior índice em 26 anos.
Para promover a recuperação do emprego, Obama quer reservar em 2010 US$ 100 bilhões para créditos fiscais a pequenas empresas, além de investimentos em energia limpa e infraestrutura. Só no ano seguinte ele deve começar a apertar os cintos nas finanças públicas.
"Estamos tentando um pouso suave em termos da nossa trajetória fiscal, para evitar o risco de 1937, quando fizemos uma redução rápida demais do déficit", disse Orszag.
Economistas dizem que a retirada prematura de políticas de estímulo fiscal contribuiu com o prolongamento da Grande Depressão na década de 1930. Obama não quer repetir esse erro, mas tampouco deseja transmitir aos investidores a sensação de que os EUA são incapazes de colocar ordem nas suas contas públicas.
Considerado pela oposição republicana como um liberal da velha guarda, afeito a taxar e gastar, Obama está sendo pressionado a convencer investidores e grandes credores como a China que tem um plano confiável para controlar o déficit e a dívida pública.
As pesquisas mostram que o eleitorado está preocupado com a fragilidade das finanças públicas dos EUA, e Obama pretende criar uma comissão bipartidária para discutir propostas sobre tributos e gastos públicos.