Alçado à condição de protagonista da crise política em Honduras, o Brasil agora se vê às voltas de uma saída para reconhecer o novo presidente eleito, Porfírio Lobo, que tomou posse esta semana. Para analistas ouvidos pelo G1, o governo brasileiro tem agora uma chance de corrigir “falhas” cometidas durante os quase sete meses de turbulência no país, iniciados com o golpe que depôs Manuel Zelaya em 28 de junho do ano passado.
Para Rubens Antonio Barbosa, ex-embaixador do Brasil na Inglaterra (1994-1999) e nos Estados Unidos (1999-2004), o Brasil “não pode ficar a reboque de novo dos acontecimentos, ao lado de Venezuela e Bolívia”. Para Barbosa, a anistia concedida a Zelaya e aos autores do golpe foi a “melhor saída” para a crise e o povo hondurenho.
O professor de relações internacionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Marcelo Coutinho vê o desfecho da crise como o “o único possível”, uma vez que Honduras foi às urnas e elegeu Lobo. “No momento em que Honduras foi às eleições e que Lobo recebe uma votação maior do que a de Zelaya em 2005, o Brasil se equivocou.
O cientista político defende a atitude da diplomacia brasileira de abrigar Zelaya durante quatro meses na Embaixada do Brasil, em Tegucigalpa, o que, segundo ele, segue a tradição do país. Na opinião do ex-embaixador Barbosa, a decisão feriu o direito internacional, que, afirma, não prevê o status de abrigado, mas apenas de asilado político em situações de perseguição.