A jornalista Lanusse Martins, que morreu no último 25 durante uma lipoaspiração, foi vítima de erro médico, segundo afirmou sexta-feira (29) a delegada que preside o caso, Martha Vargas. O cirurgião Haeckel Cabral será indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar) com dolo eventual e pode pegar de 6 a 20 anos de prisão.

A jovem teve uma veia na região renal perfurada na cirurgia e chegou a perder quase um terço do sangue do corpo. A conclusão é do laudo da morte, divulgado pela Polícia Civil do Distrito Federal.

"Houve dois erros médicos: um, pela cânula ter ultrapassado a cavidade abdominal. O segundo, [pelo médico] não perceber o que estava acontecendo. Ela deveria ter sido aberta imediatamente e ter sido estancado [o sangramento]. Isso poderia salvar sua vida", disse. A delegada disse que o anestesista avisou ao cirurgião de que haveria algo errado e pediu para parar a cirurgia.

“Ao não abrir a paciente, ele assumiu o risco”, disse. De acordo com o perito Gilberto Alves, o processo de reanimação, que levou cerca de 1h15, diante de uma parada cardíaca, estava correto. No entanto, ele pode ter aumentado a vazão de sangue e piorado a situação.

Martha afirmou que o médico será ouvido "oportunamente." No momento, ele cumpre um atestado médico.

Segundo a perita Luciana Satie, as perfurações no corpo de Lanusse -15, no total, e previstas para cirurgia- têm características de que foi realizada com um instrumento perfurante, como uma cânula. Ela afirmou que duas perfurações podem ter atingido a veia: uma, abaixo do umbigo e outra, na região perto do osso da bacia.

Lanusse perdeu pelo menos 1,5 litros de sangue. De acordo com a perita, esse total pode ser ainda maior. Para uma pessoa com o peso e altura da jornalista, o total de sangue do corpo é de cerca de 4,5 litros.