Um deslizamento de terra deixou quatro pessoas soterradas na manhã desta quinta-feira (21) em Ribeirão Pires, no ABC. De acordo com o Corpo de Bombeiros da região, o acidente aconteceu na Rua Anchieta, que fica no Jardim Bertoldo.

A corporação foi acionada às 8h30 para o local. Por volta das 10h40, 10 equipes permaneciam fazendo buscas pelas vítimas na região.

A chuva forte que atingiu a região metropolitana nesta madrugada causou deslizamentos de terra e mortes na capital paulista. No Grajaú, Zona Sul de São Paulo, uma criança morreu e um casal de adultos está desaparecido.

Segundo os bombeiros, outras quatro pessoas foram resgatadas com vida – um adulto e três crianças. Quinze equipes permanecem no local. A criança que morreu chegou a ser resgatada com vida e socorrida, mas morreu no hospital.

Na Pompéia, Zona Oeste, um aposentado que morava sozinho morreu no desabamento de uma casa. Os bombeiros também atenderam ocorrências de desabamentos na Vila Jaguara e Parque São Domingos, na Zona Oeste, e no Guarapiranga, Zona Sul. Nesses locais, não houve registro de vítimas.

Estado de alerta

Por causa da chuva, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de São Paulo decretou estado de alerta para deslizamentos de terra em 26 regiões da cidade de São Paulo nesta quinta-feira (21).

 

Segundo a Defesa Civil estão em alerta as regiões de Perus, Pirituba, Freguesia, Casa Verde, Santana, Jaçanã, Butantã, Lapa, Campo Limpo, M´Boi Mirim, Capela do Socorro, Parelheiros, Cidade Ademar, Santo Amaro, Jabaquara, Ipiranga, Penha, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Itaquera, Cidade Tiradentes, São Mateus, Guaianazes, Vila Prudente e Aricanduva.

Alagamentos e trânsito

Os pontos de alagamento espalhados pela cidade de São Paulo após o temporal começaram a diminuir nesta manhã, mas o trânsito ainda continua bastante complicado. Por volta das 10h40, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrava 24 pontos de alagamento. Antes, por volta das 8h, eram 52.

As regiões mais complicadas eram as marginais Pinheiros e Tietê. Por causa dos alagamentos na cidade, o trânsito ficou prejudicado, e o índice de congestionamentos chegou aos 111 km.

As vias mais afetadas foram as marginais Pinheiros e Tietê – os rios transbordaram. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo, além dos rios, também transbordaram os córregos Morro do S, Pirajuçara, Jaguaré, Rio Tamanduateí, Aricanduva e Ipiranga.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomenda que os motoristas evitem transitar nas regiões da Vila Prudente, Ipiranga e nas marginais.

Rodoviárias

Segundo a Socicam, que administra os três terminais rodoviários da capital paulista, os ônibus não conseguiam acessar nem deixar a Rodoviária do Tietê nesta manhã por causa dos alagamentos e da lentidão na Marginal Tietê.

Com isso, segundo a assessoria de imprensa da concessionária, será preciso esperar a água baixar para as operações voltarem ao normal. Apesar do atraso nas saídas, o terminal estava vazio – os passageiros também encontram dificuldade para chegar ao local.

Ceagesp alagada

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), localizada próximo ao Rio Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, amanheceu alagada. Diversos caminhões ficaram ilhados dentro da área, com água cobrindo as rodas. Os trabalhos estavam paralisados, e as pessoas não conseguiam entrar ou sair. A rua que dá acesso à Ceagesp, ao lado da Marginal Pinheiros, estava completamente alagada, sem possibilidade de passagem de veículos.

 

Segundo a assessoria de imprensa da Companhia, as operações foram interrompidas às 3h, e 90% das ruas locais foram alagadas. Os prejuízos ainda não foram contabilizados.

 

Além da Ceagesp, o Playcenter e o Campo de Marte, ambos na Zona Norte, também foram tomados pela água.

Rodízio

A CET não suspendeu o rodízio de veículos na cidade. Com isso, permaneceu a restrição à circulação de carros com placas final 7 e 8 no centro expandido da cidade até 10h.

Estradas

Nas estradas, a situação também era complicada. Com as marginais paradas, os motoristas não conseguiam acessar a capital. Com isso, a lentidão era de 11 km na Rodovia dos Bandeirantes, do km 24 ao km 13; 10 km na Anhanguera, do km 21 ao 11; 7 km na Castello Branco, do km 20 ao km 13. Na pista lateral o congestionamento era de 6 km, do km 19 ao km 13.

Pela Rodovia Presidente Dutra, as filas eram de 16 km, do km 215 ao km 231. Na Rodovia Ayrton Senna, o congestionamento era de 10 km entre os kms 21 e 11.

Na Via Anchieta, um alagamento interditou o km 13 na madrugada. Nesse local, a pista central permanece interditada no sentido litoral. A pista sentido São Paulo foi liberada um pouco antes das 9h, mas os motoristas ainda enfrentam 10 km de lentidão, do km 20 ao km 10.

 

Na rodovia Régis Bittencourt, um ponto de alagamento no trecho do Rodoanel complica dos dois sentidos. São 3 km de lentidão no sentido Curitiba, do 276 ao 279, e 7 km no sentido SP, do 286 ao 279.

Energia Elétrica

Na Zona Sul, a CET registrava pontos sem fornecimento de energia elétrica nas avenidas Engenheiro Luiz Carlos Berrini e Jornalista Roberto Marinho. Segundo a Eletropaulo, uma subestação no Morumbi que foi alagada pela chuva causava o problema. Uma equipe chegou pela manhã ao local e fazia inspeção nos equipamentos.

 

A Eletropaulo também registrava pontos isolados de falta de energia em outras partes da cidade, mas não tinha um levantamento de quantos consumidores foram afetados.

Transporte público

Com alagamentos em alguns pontos, a Linha 10 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) teve o funcionamento normalizado à 8h30. Por volta das 9h, também foi totalmente normalizada a circulação de trens na Linha 9.

No Metrô, as linhas operavam normalmente, apenas com velocidade um pouco reduzida por causa da chuva.

Aeroportos

Os dois principais aeroportos de São Paulo, Congonhas, na Zona Sul, e Cumbica, em Guarulhos, na região metropolitana, estavam abertos e operavam em condições visuais, sem problemas, nesta manhã.