O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou comentar nesta sexta-feira sobre a sucessão presidencial durante discurso de inauguração da sede de um sindicato, em São Paulo. Segundo o presidente, seja quem for o seu sucessor, o Brasil vai mudar por conta dos projetos de seu governo.
"Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito. E quem vier depois de mim, e eu, por questões legais, não posso dizer quem é. Espero que vocês adivinhem", afirmou o presidente na inauguração da sede do Sindicato do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo.
O presidente evitou falar sobre o seu sucessor depois que a oposição entrou com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra ele e a ministra Dilma Rousseff (Casa Rousseff), pré-candidata do PT à Presidência, por propaganda eleitoral antecipada.
Segundo o presidente, o seu sucessor irá encontrar em andamento projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) "com dinheiro no orçamento". Lula afirmou que o programa é necessário por causa da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. "Só não posso colocar que o Brasil vai ganhar o título", disse o presidente.
Esta semana, um bate-boca entre PSDB e PT começou depois que presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse, em entrevista à revista "Veja", que se os tucanos ganharem as eleições, acabarão com o PAC. Na terça-feira, Dilma rebateu a declaração de Guerra, dizendo que os tucanos sempre quiseram acabar com os programas do governo.
Lula afirmou que uma das prioridades do PAC continua a ser o problema das regiões metropolitanas. "Não é possível que cada mês de janeiro, a cada final de dezembro, a cada Carnaval a gente veja cidades inteiras ruírem por conta da água", afirmou.
No entanto, ele disse que não é daqueles que sai culpado o prefeito ou o governador das áreas atingidas. "A verdade é o seguinte: muitas vezes existem culpa gerencial porque se sabe onde vai encher e, portanto, poder-se-ia resolver. Mas a gente sabe que também que custa muito caro. E, portanto, não vou jogar pedra em nenhum prefeito ou governador", disse o presidente.
Ação da oposição
Ontem, PSDB, DEM e PPS protocolaram no TSE mais uma representação contra Lula e Dilma por propaganda eleitoral antecipada. Segundo os partidos, eles descumpriram a lei eleitoral durante inaugurações em Minas Gerais na última terça-feira.
Na inauguração da barragem de Setúbal, em Jenipapo de Minas (MG), a cerimônia contou com o serviço de um dos mais tradicionais buffets de Belo Horizonte, o Celia Souto Mayor. As cerca de 3.000 pessoas que compareceram à cerimônia, organizada pelo governo federal, tiveram à sua disposição canapés, mini hambúrgueres e salgados.
Em seu discurso, o presidente disse que vai inaugurar "o máximo de obras possível" até março, antes que Dilma e o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) deixem o governo federal para disputar as eleições.
Para a oposição, Dilma e Lula usam os eventos oficiais para fazer campanha eleitoral com dinheiro do contribuinte. Segundo a oposição, desde que Lula escolheu Dilma como candidata, ela o acompanha em viagens no país e no exterior, já que não tem nenhuma experiência eleitoral e a esperança do PT é conseguir transferir votos que poderiam ser do presidente para ela.
Em outubro do ano passado, as três legendas já haviam questionado na Justiça a viagem do presidente, acompanhado da ministra, às obras de transposição do rio São Francisco.