A participação de candidatos que representam religiões na disputa eleitoral se tornou uma prática comum no Brasil. O interesse evangélico na política foi reforçado em 2005, quando o Bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus conseguiu autorização para fundar o Partido Municipalista Renovador (PMR). Em 2006 o partido passou a se chamar Partido Republicano Brasileiro (PRB). Já o catolicismo tem se mostrado de forma mais discreta.

A televisão e mais recentemente a internet, passaram a ser ferramentas muito utilizadas para disseminar as idéias religiosas e permitem que os eleitores “conheçam” seus possíveis representantes, que através de programas televisivos realizam milagres e prometem solucionar problemas financeiros, sentimentais e espirituais dos telespectadores. 

Porém, de acordo com alguns segmentos da sociedade civil, a representação religiosa no Congresso Nacional tem contribuído para que projetos de Lei não saiam do papel, a exemplo do PLC 122/06, que caracteriza a homofobia como crime, visto o que acontece em casos de preconceito racial. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas a maioria dos políticos que também atua como pastores e bispos se mostra contrária à causa.

Em Alagoas nomes como o do vereador por Maceió, João Luis (DEM), que é pastor da Igreja Quadrangular e ainda, o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), representante católico, o deputado estadual Jota Cavalcante (PDT) e o deputado federal Antônio Carlos Ramos, mais conhecido como Chamariz representam a comunidade evangélica. Todos têm a perspectiva de conquistar o voto dos eleitores em 2010 baseados na religião. 

O cientista político Eduardo Magalhães explicou que apesar de inicialmente ter existido uma separação entre o Estado e a igreja, ambos se aliaram, após a Revolução Francesa e Americana e passaram a fazer parte da cultura do homem, que leva em consideração a existência de uma força superior para decidir pelos seus representantes. 

“É difícil termos um estado laico e como o Brasil é por excelência marcado pela pobreza, as pessoas veem na religião uma esperança. Com isso, as igrejas passaram a fazer um trabalho forte e entraram na ideologia política. Esse é um processo natural, mas deveria ter como objetivo defender o direito dos cidadãos”,afirmou o cientista político. 

De acordo com Magalhães, é necessário que não haja fanatismo na disputa política por parte de candidatos e até eleitores em relação à religião, para que não se crie uma segunda inquisição, como aconteceu na Idade Média, onde quem se mostrava contrário a determinada crença, era punido de forma rigorosa. Ele lembrou que por Alagoas ser um Estado pobre, a religião assume um papel significativo e até decisivo.

“As igrejas não devem se transformar em grupos de pressão para que os fiéis votem em determinados candidatos. Aqui há pessoas como o pastor João Luis, que há anos não se afasta da política. Acredito que a força religiosa ainda sejam maior na capital, devido a presença dos caciques políticos no interior. Mesmo assim, a religião já é marcante lá”, destacou Magalhães.

Para ele, mesmo com a participação massiva de candidatos evangélicos na disputa eleitoral, o catolicismo não tem precisado fazer proselitismo, por ser uma religião tradicional. “A maioria da população ainda se identifica com a religião católica, porque o evangélico precisa assumir um compromisso maior com a igreja e bíblia”, afirmou.

“A televisão é uma arma poderosa, mais utilizada pelas igrejas evangélicas para conquistar fiéis e eleitores. O ruim disso é quando os candidatos, após eleitos se afastam dos problemas da população e esquecem das soluções, sejam elas filosóficas, religiosas ou partidárias. Não deve haver extremismos e excessos ao combinar política e religião, pois não existe espaço para isso no mundo moderno”, lembrou.