Vai ser sepultada nesta segunda-feira, no Cemitério São João Batista, a esteticista Míriam Santos Souza, de 51 anos, que morreu vítima na noite de sábado, com um tiro na testa, quando estava no interior de um ônibus da linha 415 (Muda-Copacabana) no momento em que o coletivo passava pela Rua Hadock Lobo, próximo a Rua professor Gabizo, em direção à Copacabana. Ela tinha acabado de sair do trabalho no Coifeur Walters, no Shopping Tijuca, quando dois bandidos em uma motocicleta, perseguidos por uma patrulha do 6ºBPM (Tijuca) atiraram propositadamente contra o parabrisa do coletivo, segundo o marido da vítima, o jornalista aposentado David Estilac Leal, 74 anos, para desviar a atenção dos soldados da PM que perseguiam os criminosos.
Os dois bandidos, momentos antes, tentaram assaltar um posto de gasolina na Rua Gago Coutinho, rua de acesso ao Parque Guinle, quando o soldado Marcelo Blanco Lopes de Lucas, da 1ª Companhia Independente do Palácio Guanabara - responsável pela Guarda e Segurança do palácio - que deixava o serviço, surpreendeu os assaltantes agindo. Ele sacou a arma e deu voz de prisão a dupla, que fez disparos. Quando ele caiu baleado, os criminosos fugiram em direção ao Túnel Santa Bárbara. Foi dado o alarme pelo rádio e as viaturas da Polícia Militar foram acionadas para cercarem a dupla de assaltantes no Catumbi, Estácio e Central do Brasil. Ele foram localizados pouco depois das 22h por uma patrulha do 6º BPM (Tijuca) na Rua Haddock Lobo, onde houve nova troca de tiros e perseguição.
Em meio a troca de tiros, Miriam foi baleada na cabeça e levada para o Hospital do Andaraí, onde morreu. No mesmo hospital, deram entrada o motorista e outro passageiro, atingidos por estilhaços. Logo depois, os bandidos foram cercados por inúmeras patrulhas e acabaram sendo baleados, morrendo no mesmo hospital. Os dois estavam sem identificação.
O soldado da 1ª CIPM que foi baleado nas Laranjeiras, foi socorrido no Hospital Central da Polícia Militar. O marido da esteticista, que passou todo o domingo no Instituto Médico Legal (IML), para liberar o corpo, era o retrato do desespero. Jornalista aposentado, filho do marechal Estilac Leal, ele contou que vivia com Miriam há 20 anos e não tinha filhos com ela. Era seu segundo casamento. "Estes bandidos covardes atiraram no parabrisa do ônibus para desviar a atenção dos PMs que os perseguiam. Um tiro pegou bem na testa dela, coitada, que voltava para casa, em Copacabana, depois de um dia de trabalho", contou.
O viúvo disse que ela trabalhava de domingo a domingo, não tinha folga, e sempre no mesmo horário. Preocupado com a segurança dela, pedia que fosse para casa de Metrô, que era mais rápido e seguro. Mas ela pegava sempre o 426, que vai pelo túnel. "Ela nunca pegou o 415. Foi a primeira vez, e a última. Queria chegar logo em casa. Era teimosa e não aceitava minha ponderação. Eu a esperava todos os dias na Rua Duvivier, mas na noite de sábado ela estava demorando muito e eu liguei para seu celular e quem atendeu foi um policial da 18ª DP (Barão de Iguatemi), que me disse que a bolsa dela estava na delegacia e pediu que eu fosse até lá. Quando cheguei, me disseram que ela se machucou e estava no Hospital do Andaraí. Quando me entregaram a bolsa, estava muito suja de sangue e eu perguntei se alguém tinha batido nela, mas mandaram que eu fosse ao hospital. Quando cheguei, me contaram que ela tinha sido baleada dentro do ônibus. É muito triste se perder a mulher assim", disse.
A irmã da esteticista, Silvia Ney Santos Souza, 42 anos, que estava no IML, contou que esteve com Miriam na semana passada, que seria madrinha de seu filho, Gabriel, de 1 anos e 2 mêses. "Combinamos sobre o batizado, que seria logo depois do carnaval. Agora, fiquei sem minha irmã, minha comadre e meu filho ficou sem madrinha", disse, lamentando a morte brutal de Miriam. Os policiais da 18ª DP vão tentar identificar os dois bandidos mortos, saber de qual morro ou favela eles seriam e saber se eles já tinham passagem pela polícia e quais crimes tinham cometido.