Quase sem voz depois de dois dias na fila da megaliquidação de uma varejista em São Paulo, Dulciléia Herrero comprou tudo o que queria – e mais um pouco: foram duas TVs de plasma, três microondas, um forno elétrico, edredon, sofá e
“Foi uma muvuca, mas uma muvuca boa”, diz Dulciléia, que era a segunda da fila. “E paguei o maior mico, eu me joguei no sofá na hora que abriu (a loja). Meu filho vai me matar”. Ela gastou cerca de R$ 4,2 mil, valor que vai pagar em dez vezes, e arranjou um problema: como as lojas não entregam, nesta manhã ela estava na calçada da loja tentando conseguir um carreto. “Não consigo alguém para carregar”, disse ela ao G1.
A manicure Fia Fernandes, primeira da fila na mesma loja – pelo segundo ano seguido – também saiu feliz: “foi bastante confusão, mas para mim nem tanto. Nós (os dez primeiros da fila) tivemos dez minutos pra comprar sozinhos. Consegui tudo o que queria. Só não comprei o colchão, que eu achei que não estava mais barato que nas outras lojas”, diz. “Tudo” o que ela queria inclui TV LCD, lençóis, talheres e câmera digital, entre outras coisas.
Mas houve gente decepcionada. Lamisse do Nascimento, que queria uma TV de LCD, geladeira e máquina de lavar, saiu de mãos vazias. “Não peguei nada, fiquei chateada pra caramba. Os preços não estavam aquilo tudo e tinha juros. Para comprar três itens assim, tem que parcelar, mas com juros não vale a pena”, disse. “Estava lá desde as 10h da noite, passei a noite sem dormir, estou até rouca, peguei garoa. Saí decepcionada”, lamentou, já a caminho do trabalho.
A representante comercial Andrea Cristina, que estava desde as 22h de quinta-feira na fila, também não comprou nada. “Eu preciso de uma geladeira e um fogão, mas os juros estavam grandes. Até peguei a geladeira que eu queria, reservei, mas depois eu fiquei sabendo que tinha juros. Agora vou esperar passar essa loucura e depois eu compro”, diz.