Encarada como estratégica para o desenvolvimento do país, a educação especial também é reconhecida como essencial para a qualificação dos estudantes, tanto aqueles com necessidades especiais quanto os que possuem um coeficiente intelectual (QI) elevado e são considerados superdotados.

 

Devido a isso, está em tramitação na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição 394/09 (PEC), do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que obriga o Estado a oferecer educação especializada a alunos com altas habilidades ou superdotação. A falta de investimento em novos talentos em áreas como matemática e física acabam atrasando o desenvolvimento econômico do país.

 

A PEC ainda será analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania e se for aprovada, será analisada por uma comissão especial antes de seguir para o Plenário, onde precisará ser votada em dois turnos e surgiu após a constatação de que enquanto em 1980 um trabalhador produzia valor agregado equivalente a 15,1 mil dólares (R$ 26,4 mil), em 2005 esse valor caiu para 14,7 mil dólares (R$ 25,7 mil).

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de 2008, mostra ainda, que 71,6% dos brasileiros entre 15 e 19 anos não têm nível educacional adequado para conseguir um trabalho bem remunerado. Embora apenas 5% da população mundial possua potencial para superdotação, o que equivale a mais de 2,5 milhões de estudantes, segundo o parlamentar, menos de 0,5% recebe atendimento educacional adequado.

Em Alagoas o Núcleo das Atividades de Altas Habilidades/Superdotados - NAAH/S da Secretaria Estadual de Educação (SEE) foi implantado em 2007. A coordenadora de educação especial da SEE, Joelina Cerqueira explicou que é preciso ter cautela para trabalhar com crianças ou adolescentes com habilidades especiais e ainda, que cerca de 10 estudantes de escolas públicas se destacaram, desde 2008 .

“O trabalho também é voltado para a comunidade, porque o estudante superdotado pode vir de qualquer nível econômico e social. As escolas particulares solicitam o acompanhamento de nossa equipe interdisciplinar e os professores se responsabilizam pela observação dos alunos. Tivemos o caso de um estudante de escola pública que se destacava em matemática e mesmo cursando a 5° série, passou a ver a disciplina da 6°. Pelo potencial, ele recebeu uma bolsa de estudos para o Colégio Inei”, contou Joelina.

A coordenadora explicou que os estudantes considerados superdotados recebem uma orientação especial, pois podem apresentar mais problemas do que aqueles com necessidades especiais. “Há a expectativa dos pais e os superdotados são instáveis emocionalmente e têm dificuldade de sociabilização. O objetivo é que eles se adequem e se sintam incluídos”, ressaltou.

A pedagoga Elizabete Patriota lembrou que a educação especial está incluída na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), tanto para pessoas com deficiências cognitivas ou mentais quanto limitações físicas. Ela destacou ainda, que ao superdotado é assegurada a adequação curricular, por ele precisar de uma suplementação educacional.

“Alguns têm um talento extraordinário em matemática, mas pedagogicamente podem apresentar dificuldades em outras áreas ou até ao abrir uma lata. A lei assegura que eles ultrapassem séries e ganhem tempo no currículo, porque tudo que ele veem já domina. Assim como pessoas que têm problemas de aprendizagem, o superdotado tem a prerrogativa de adequação”, informou a pedagoga.

Elizabeth reafirmou a importância da participação dos professores na identificação das potencialidades dos estudantes e ainda, que embora o superdotado seja reconhecido pela medição do QI, pedagogos e psicólogos compreendem que a intelectualidade se manifesta no conjunto dos talentos. “O QI dos superdotados está em torno de 180 e 200, mas eles são minoria e há aqueles que não tiveram o potencial desenvolvido. O Brasil desperdiça seus talentos”, afirmou.

“Não é difícil perceber quando o estudante se destaca em determinada área. Ele facilmente se desinteressa pelas coisas, por te um conhecimento que vai além e pode ser disperso, embora domine assuntos complexos. Recentemente, houve o caso de um menino de 14 anos que terminou o ensino médio e foi cursar engenharia mecatrônica. Outros fazem medicina ou passam em todos os vestibulares e não terminam nenhum curso. Mas nem todos são tipos estranhos e podem se destacar em tudo”, ressaltou Elizabeth.