A onda rosa que varreu a Europa há cerca de dez anos está por um fio a ser cortado nas eleições gerais do Reino Unido. Na América Latina, há chances razoáveis de Brasil e Chile - vitrines esquerdistas do continente - mudarem de direção apesar de seus governos populares. Em baixa nas pesquisas de popularidade, o presidente democrata dos Estados Unidos, Barack Obama, deve sofrer para manter sua maioria no Congresso. Afinal, os conservadores estão de volta.

O cenário mais promissor para os defensores dos cortes de gastos públicos está no Reino Unido, onde o Partido Conservador deve desalojar o impopular primeiro-ministro Gordon Brown por ampla maioria. É tão baixo o apoio ao sucessor de Tony Blair que o Partido Trabalhista teme terminar as eleições gerais - a serem realizadas entre maio e junho - em terceiro lugar, atrás do Partido Liberal Democrata, de centro-direita. Caso as pesquisas se confirmem, David Cameron, 43, será o novo premiê.

A provável derrota dos trabalhistas britânicos dará fim à chamada "onda rosa" que elegeu no fim dos anos 90 governos de centro-esquerda nas principais potências europeias: Reino Unido, Alemanha, França e Itália. Embora mantenha a esquerda no poder com o primeiro-ministro José Luis Zapatero, a Espanha o elegeu pela primeira vez na esteira dos ataques terroristas de 11 de março de 2004, em uma votação que dias antes daria a vitória ao conservador governista Mariano Rajoy.