O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira que seu colega americano, Barack Obama, "se desmoronou" em 2009 por sua atuação em relação ao golpe de Estado de Honduras. Durante sua mensagem de fim de ano ao povo venezuelano, transmitida em cadeia nacional obrigatória de rádio e TV, Chávez enviou uma "saudação de fim de ano ao presidente" deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e reiterou que seu governo "seguirá sempre" acompanhando a ele e ao povo hondurenho.
"Este ano presenciamos o desmoronamento de Obama, mas não era de se esperar muito, na verdade (...). Caiu a máscara, aí está o império, mas há um povo batalhando e uma força que se levantou em Honduras", afirmou. Até junho, Chávez tinha falado da "intenção de mudança" e da "boa fé", que observava no novo presidente americano, a quem pedia acabar com a política imperial de "agressão" em relação à América Latina.
No último dia 25 de junho, Caracas e Washington restabeleceram relações diplomáticas plenas ao carimbar um acordo para que os respectivos embaixadores voltassem às capitais após mais de nove meses de ausência.
Chávez insistiu nesta quarta-feira que a derrocada de Zelaya, no dia 28 de junho, foi uma "estratégia" supostamente idealizada pelo "império ianque", e que a Venezuela alertou para isso na Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) "desde o dia do golpe".
O governo venezuelano disse então que os Estados Unidos tentaria "aplicar a mesma estratégia que aplicaram no Haiti". isso, segundo Chávez, significa que o país tentaria "derrubar o líder eleito, tirá-lo do país, convocar eleições, e dizer: "não houve nada\'". O venezuelano voltou a lamentar que "alguns governos", "seguindo a linha da Casa Branca", tenham "reconhecido tristemente um governo ilegítimo surgido de eleições arranjadas".
Costa Rica, Colômbia, Panamá e os EUA reconheceram a legitimidade dos resultados das eleições presidenciais hondurenhas, realizadas no dia 29 de novembro passado, sob o governo interino de Roberto Micheletti. Chávez qualificou de ilegítima a votação, que teve como vencedor Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional, e sustentou que seu governo só reconhece Zelaya como presidente constitucional do país centro-americano.
Na mensagem, Chávez ainda acusou os EUA de "continuar utilizando" suas bases aéreas nas ilhas caribenhas de Aruba e Curaçao como parte de um suposto plano para agredir a Venezuela, do qual também participaria a Colômbia. "O império ianque continua utilizando as bases de Aruba e Curaçao, além das bases que estão instalando no território da Colômbia", declarou Chávez durante sua mensagem de fim de ano à nação, transmitido em cadeia obrigatória de rádio e televisão.
O venezuelano insistiu nas últimas semanas em que os EUA, por meio de seus aliados na região, supostamente "aumentam as agressões contra a Venezuela".
No último dia 20, Chávez apresentou como "preparativos evidentes" dos supostos planos de agressão contra a Venezuela a decisão da Colômbia de "movimentar unidades" militares em seu lado da fronteira comum e a "mobilização de aviões em Aruba e Curaçao", território autônomo da Holanda, entre outras.
Nesta quarta-feira, Chávez desprezou afirmações do primeiro-ministro de Aruba, Mike Eman, que disse nesta semana que a Holanda esclareceu à Venezuela o propósito do acordo militar antidrogas que possui com Washington e considerou que a tensão diplomática bilateral gerada pela denúncia venezuelana tinha ficado para trás. "Para nós não há nada superado, nós estamos vendo os aviões que saem e chegam de Curaçao e Aruba, os equipamentos de inteligência que chegaram", afirmou Chávez.
O governante acrescentou que seu governo "sabe" que os EUA começaram a instalar na vizinha Colômbia equipamentos militares "que não são para a luta contra o tráfico de drogas, são para a guerra internacional".
Na terça-feira (29), o presidente colombiano, Álvaro Uribe, desautorizou qualquer instigação de guerra e afirmou que "só é preciso expressar afeto" ao povo vizinho.