Apesar de toda a beleza e simpatia dos moradores, temos que admitir que morar no Rio às vezes pode ser bem difícil. E muitas vezes o carioca só pode contar consigo mesmo para se safar de situações desagradáveis ou mesmo perigosas. Nesta página, estão listadas 10 destas ocasiões adversas e dicas de com lidar com elas: evitando-as ou, caso isso não seja possível, tentando com que o prejuízo seja mínimo. Todas as pessoas que moram no Rio já passaram por pelo menos uma delas e torcemos para que não passem por mais nenhuma. Mas, caso aconteça, as dicas levantadas com especialistas podem ser úteis.

– Uma vez estava andando à tarde na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, quando de repente comecei a ouvir barulho de tiros, eram muitos – relatou Fábio Augusto de Souza. – As pessoas começaram a correr para dentro das lojas, e os funcionários tentaram fechar as portas rapidamente. Muita gente se jogou no chão. Nesse momento vi como ninguém está livre desses acontecimentos.

Fugindo do engarrafamento

Há também recomendações de como agir em situações mais prosaicas e menos arriscadas, embora chatas demais. Engarrafamento é uma delas. Um dica do professor de engenharia de transporte, Fernando Macdowell, é simples e ajuda a economizar muito tempo que seria perdido no anda-e-para cada vez mais frequente no Rio.

– Sempre peço para o motorista de táxi saber pelo rádio como estão as condições do trânsito – diz Macdowell. – Desta forma a gente não perde tempo pegando as vias mais congestionadas.

Muito comuns nesta época do ano, ainda mais com as previsões de chuva acima do normal, os alagamentos também escondem riscos e exigem macetes. Um deles é acidentar-se em um bueiro destampado pela força da água, como alerta o subsecretário municipal de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões.

– O que nós recomendamos é não transitar nesta situação – sugeriu o coronel Simões. – Mas se já estou dentro do problema, o ideal é que primeiro mova uma perna para depois tirar a base da perna anterior, arrastando o pé. Esse cuidado evita que a gente caia em um buraco.

Há também dicas para enfrentar o calorão que já está em vigor na cidade. Uma delas é a aplicação do protetor solar pelo menos meia hora antes de expor o quengo ao astro-rei.

– É o tempo para que o produto comece a funcionar realmente – explicou a dermatologista Marcia Ramos e Silva.

Veja as dicas

Como evitar um assalto em banco

Saidinha de banco é a modalidade de assalto em que o bandido aborda a vítima após o saque do dinheiro em uma agência bancária. É bastante comum nesta época de festas e 13º salário. Atenção e alguns cuidados é o que sugere o coronel Ubiratan Angelo, ex-comandante da PM e atual secretário da Ordem Pública de Búzios.

– Essa identificação se dá pela observação do saldo bancário, no momento de uma retirada, de uma consulta a saldo, pela observação de uma conversa pelo celular ou mesmo pela análise do comportamento da potencial vítima – explica o coronel Ubiratan. – Às vezes a análise se inicia no estacionamento de um shopping, pelo observação do veículo da pessoa, pelo traje e por outros diversos sinais de capacidade econômica.

O coronel recomenda atenção às pessoas que circulam com quantias significativas de dinheiro. Diz que essa distração é usada pelos assaltantes tanto para ver o saldo bancário quanto para segui-las na rua.

– Quando não se tem como evitar uma movimentação alta, pode-se procurar estar acompanhado, buscar bancos ou caixas próximos a pontos de apoio policial; as conversas ao celular podem ser efetuadas com mais discrição; nas movimentações bancárias, deve-se ter cuidado para que estranhos não tenham acesso aos seus dados

Como lidar com um apagão

A primeira dica do professor de engenharia elétrica da PUC, Reinaldo Castro Souza, é para tentar evitar os apagões, que ocorrem com mais frequência nos meses de verão.

– Com o calor do verão, muitas pessoas ligam os aparelhos de ar-condicionado da casa inteira. Imagine se todo mundo fizer isso ao mesmo tempo? O ideal é refrigerar apenas o cômodo em que se está. Esse aumento súbito no consumo de energia pode causar um apagão localizado.

O professor explica que não há necessidade de tirar os aparelhos elétricos da tomada, apenas o computador, por ser mais sensível. Mas avisa que todos precisam ser desligados, menos, claro a geladeira. Deve-se ter cuidado também ao religá-los. Reinaldo explica que a energia, quando volta, oscila muito, durante cerca de um minuto, dependendo da abrangência da interrupção. Aconselha que se ligue os aparelhos novamente cinco minutos depois da volta da energia, para dar tempo para o sistema se estabilizar.

– O ideal é religar os aparelhos só quando se tiver certeza de que a energia voltou de vez. É melhor primeiro acender as lâmpadas, depois ligar os eletrodomésticos aos poucos. É bom também ter lanternas em vez de velas, para evitar incêndios.

Como se safar nas chuvas de verão

A recomendação é que se fique onde está quando caem aqueles aguaceiros de verão, diz o coronel Sérgio Simões, subsecretário municipal de Defesa Civil do Rio. Mas, caso já se esteja na rua, é preciso alguns cuidados para atravessar a pé os bolsões de água que se formam em diversos locais da cidade. Há vários riscos imperceptíveis, como o de um bueiro destampado pela força das águas.

– Mesmo que não morra, a pessoa pode quebrar o pé ou a perna. Recomendamos não transitar nesta situação. Mas se já estou na rua, primeiro movo uma perna para depois tirar a base da perna anterior, arrastando o pé, para não cair em um buraco. Também há o risco de uma fiação energizada ter se rompido e pode eletrocutar quem passar pela poça d\'água.

Contrair uma doença é outro risco existente nos pontos de alagamento. Principalmente a leptospirose. Segundo o chefe do serviço de doenças infecciosas e parasitárias do Hospital da UFRJ, Alberto Chebabo, a doença é transmitida por uma bactéria que é eliminada na urina do rato.

– Pode causar febre, dor de cabeça, dor muscular e pode evoluir para insuficiência renal e pneumonia. Há muitos casos desta doença nos períodos de enchente e ela é contraída pelo contato da pele com a água contaminada. Embora o risco diminua, a pessoa calçada também pode pegá-la.

Como se portar em uma blitz

Uma das características de uma blitz oficial é a sua ostensividade. Ou seja, é identificada pelo uso do uniforme, equipamento, armamento e viaturas oficiais.

– Em qualquer lugar, onde se possa encontrar uma política de segurança pública definida, iremos perceber que esse modelo de operação é realizado com técnica e máxima ostensividade.

Todas as operações atendem a um planejamento prévio e, consequentemente, estão previstas em um documento que contém um plano de trabalho a ser seguido. Os policiais que participam da blitz são comandados por um oficial ou graduado (subtenente ou sargento). Devem estar devidamente identificados pela farda e apresentar a sua identidade quando pedido.

– O cidadão deve ter cuidado com qualquer tipo de manobra brusca, feita por pensar que a operação é uma falsa blitz. Os agentes da lei também ficam assustados quando, nessas operações, um motorista tenta desviar fazendo manobras repentinas.

Na hora da abordagem, o policial deve se identificar pelo nome, cargo, posto ou graduação e indicar sua unidade da PM. O nome dele está acima do bolso, do lado direito; a identificação do batalhão está nas mangas da farda, no lado esquerdo; o número do batalhão está visível em todos os lados do veículo.

Como sair ileso de um tiroteio

Talvez seja difícil seguir a primeira recomendação para o caso de se deparar com um tiroteiro na rua: manter a calma. Dessa forma será mais fácil seguir a segunda, que é identificar de onde vêm os tiros. O coronel Ubiratan Angelo, ex-comandante da PM e atual secretário da Ordem Pública de Búzios, explica que, depois de saber de onde partem os disparos, deve-se buscar abrigo. Vale reforçar que a curiosidade, nesse caso, pode matar. Por isso, nada de colocar a cabeça na mira para ver o que está acontecendo.

– Tem que ser uma barreira que sirva de anteparo eficiente entre o transeunte e o ponto de origem dos disparos: paredes de concreto, marquises de alvenaria, bloco de motor de veículos, postes de ferro, ou seja, estar protegido por barreira física que interrompa a trajetória do projétil.

O coronel Ubiratan sugere que em qualquer situação, os deslocamentos devem ser feitos rapidamente, buscando manter o equilíbrio (para não cair e piorar a situação, pelo maior tempo exposto). Outra medida que deve ser tomada, se possível, é a diminuição da área de exposição da silhueta. Ou seja, deve-se ficar em uma posição agachada ou deitada, para diminuir as chances de ser o endereço final de uma bala perdida.

Como se livrar dos flanelinhas

“Aê, doutor, pode deixar solto que eu tomo conta”. Esta frase costuma causar esgares de raiva nos cidadãos do Rio de Janeiro. É sinal de que dentro de alguns minutos ele terá que pagar adiantado por um “serviço” que não será prestado. Trata-se de uma chantagem tácita que é diariamente praticada em diversos pontos da cidade. Uma das medidas a ser tomada contra esta praga que infesta as ruas do Rio é chamar um policial ou guarda municipal, como aconselhou o prefeito Eduardo Paes.

“Todo cidadão deve e pode contar com os guardas municipais. Se o motorista se sentir ameaçado por flanelinhas, ele deve procurar o guarda municipal mais próximo do local. Caso a ação do flanelinha seja configurada como crime, a vítima (motorista) deve acompanhar o guarda e o suspeito (flanelinha) até a delegacia, para que seja registrada a ocorrência“, informou, por e-mail, a assessoria de imprensa da Guarda Municipal.

Em geral, os flanelinhas são autuados por exercício ilegal da profissão. Mas caso haja denúncia, eles podem ser enquadrados no crime de extorsão, cujas penas são mais altas. Em último caso, negocie o valor da extorsão, digo, do serviço. Muitos deles admitem que estabelecem o preço pela “cara” do freguês.

Como escapar de um arrastão

Um risco que o carioca corre quando vai à praia nos meses de verão é o arrastão. É semelhante ao estouro da boiada, só que nesse caso os bois são ladrões que se aproveitam da confusão para roubar os pertences dos banhistas. Calma, prescreve o coronel Ubiratan Angelo, é novamente a receita para lidar com esta desagradável situação.

– Na maioria dos casos o que se observa, é que um fato (uma briga, um furto flagrado pela vítima ou por outra pessoa, ou uma brincadeira) provoca o início da onda de deslocamento da massa humana que está na praia. Independentemente do motivo provocador, o que se observa, também, é que pessoas de bem entram em pânico, correm sem saber porque ou para onde, e deixam seus pertences para trás. Enquanto isso, os aproveitadores fazem uma verdadeira limpa. Há casos de alguns que tentam tomar o bem das mãos das vítimas, mas essa não é a regra.

Percebida a pororoca de gente se aproximar, o ideal é que a pessoa, mantendo a calma, recolha os seus pertences e se afaste para na direção do mar ou da calçada, evitando o encontro com a turba.

– Ao chegar à praia, é bom identificar o ponto de vigilância da polícia militar ou da guarda municipal mais próximo. Essa será nossa referência nesses casos e em outros que possam acontecer.

Como se livrar de engarrafamentos

Nossos engarrafamentos ainda não têm a dimensão que há em São Paulo, mas tudo indica que estamos a caminho. Para evitar a chatice do anda-e-para, a primeira dica sugerida pelo professor de engenharia de transporte da UFRJ, Fernando Macdowell, é evitar sair para a rua nos horários de pico: por volta das 7h e das 18h30.

– As pessoas estão saindo mais cedo de casa e também voltando mais cedo para evitar circular à noite – disse Macdowell. – Por causa disso, os engarrafamentos têm ocorrido mais cedo.

A informação também é uma arma muito importante na luta para fugir dos congestionamentos. Com ela, o motorista poderá saber onde há retenções e as opções de caminhos alternativos que poderá usar.

– Ouvir os programas de rádio, que orientam o motorista, também é útil. Os repórteres avisam onde há engarrafamento. Todo mundo que eu conheço ouve rádio. O ideal seria que a prefeitura instalasse painéis de mensagem em tempo real em um maior número de vias, para evitar que pequenas retenções se tornem grandes engarrafamentos.

O conhecimento da cidade também conta na hora de optar por outras rotas.

– Quem não conhece direito a cidade tem medo de entrar numa favela sem querer. Por isso é bom conhecer a cidade.

Como amenizar o calor carioca

Meteorologistas têm previsto que este verão vai ter muita chuva e muito calor. Como é sabido, deve-se evitar a luz do sol entre 10h e 16h. Cuidado difícil de ser adotado. A dica é usar um bom protetor solar. Mas o produto deve ser aplicado pelo menos 30 minutos antes de ir para a rua, para que ele tenha tempo de ser “ativado”, avisa a professora de dermatologia da UFRJ, Marcia Ramos e Silva.

– Deve ser usado inclusive em dias nublados. Há áreas do corpo que são negligenciadas, como nariz, orelha e pálpebras. Para estas, o ideal é usar óculos escuros de boa qualidade. Também deve-se evitar ficar o tempo inteiro com os sapatos fechados. Por ser úmido e quente, é o ambiente ideal para a proliferação de fungos e bactérias.

Também se deve ter cuidado com a alimentação, que deve ser leve e incluir muito líquido, para compensar a perda pelo suor, sugere a nutricionista Emília Paes Carvalho. Por causa de uma diminuição no metabolismo, a quantidade de calorias ingeridas deve ser diminuída, sob o risco de chegar ao inverno com calotas abdominais.

– Devemos evitar alimentos gordurosos, como carnes gordas, queijos gordurosos, molhos à base de creme de leite e maionese. Evitar frituras e maneirar na bebida alcoólica. No verão nosso organismo fica mais sensível aos condimentos fortes.

Como agir em grandes conflitos

O alinhamento de lugares cheios, calor e a cerveja para aliviar a quentura pode levar ao surgimento de brigas generalizadas, que, muitas vezes, acabam por envolver quem não tinha nada a ver com o barulho. O mestre Kobi ensina que a melhor maneira de vencer um conflito desses é não entrar nele. Mas ele diz que há o ocasiões em que simplesmente não há como fazer isso, dada a dimensão que o furdunço ganha. A melhor coisa a fazer nessa hora, prossegue Kobi, é criar uma situação de fuga.

– Procure em volta algum objeto que pode ser usado como arma de defesa, como uma cadeira, por exemplo. Podemos usar um extintor de incêndio para soltar um jato e assustar quem está em volta. Em situações que temos que enfrentar um grupo, o melhor a fazer é criar uma situação de fuga. Nessas pancadarias generalizadas é o que se deve fazer.

Outro conselho dado por mestre Kobi é que se deve prestar atenção no ambiente ao redor, usando a visão periférica. Esse procedimento servirá para que se possa verificar a maior ameaça do lugar.

– O importante é avaliar quem dos adversários representa no momento o maior perigo. Não é necessariamente o maior, nem o mais forte, mas quem está mais próximo, ou quem possui uma faca ou garrafa.