O advogado Sérgio Tostes, que defendeu a família brasileira do menino Sean Goldman, 9 anos, criticou nesta quinta-feira a postura do governo brasileiro, que não teria dado o apoio necessário ao caso. A criança foi entregue por volta das 9h30 ao pai, o americano David Goldman, e já embarcou para os Estados Unidos. Segundo ele, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vannuchi, foi o "algoz" de Sean.
"Lamento muito que um homem com o passado do senhor Paulo Vannuchi, que foi na época do governo da ditadura perseguido, tenha no momento da democracia brasileira, sido um algoz, um carrasco, de um cidadão brasileiro nato", disse. Procurada, a assessoria da SEDH informou que não irá se manifestar sobre o assunto.
Tostes pediu apoio do governo brasileiro à família da criança, que terá de lutar a partir de agora por meios judiciais para poder vê-la nos Estados Unidos. "Espero igualdade de tratamento, especialmente do secretário de Defesa dos Direitos Humanos, doutor Paulo Vannuchi, que atuou intensamente, de todas as maneiras, para que o menino fosse devolvido aos Estados Unidos", afirmou.
Tostes acompanhou Sean dentro do consulado americano e disse que a criança chorou muito ao ter que deixar a família brasileira, com quem viveu nos últimos cinco anos. A entrega ao pai foi feita pela avó, Silvia Bianchi, que não foi autorizada a viajar junto para os Estados Unidos.
Segundo o advogado, a transferência da custódia deveria obedecer a um processo de transição para que a avó pudesse contar ao pai as peculiaridades do menino, os remédios que ele toma, qual é o seu horário de dormir, como ele se comporta e como reage a determinadas situações. "Nós dissemos que era melhor, pensando na criança, que a avó fosse junto com o menino para os Estados Unidos, para que não houvesse a ideia de que ele estava sendo entregue em algum lugar. Foram consultadas as autoridades americanas, que negaram-se peremptoriamente a que a avó acompanhasse", disse Tostes.
Entenda o caso
A história da luta do americano David Goldman para reaver a guarda do filho mobilizou a opinião pública e o governo americano. O pai de Sean, David Goldman, lutou para ter a guarda do filho desde a morte de sua ex-companheira, a brasileira Bruna Bianchi Carneiro. Nesta quinta-feira, o menino voltou com ele para os Estados Unidos, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A briga pela guarda começou em 2004, quando Bruna deixou Goldman para uma suposta viagem de férias de duas semanas com o filho ao Brasil. Ao desembarcar no País, contudo, Bruna telefonou ao marido avisando que o casamento estava acabado e que não voltaria aos Estados Unidos. A partir disso, foi travada uma batalha judicial pela guarda do garoto, na época com 4 anos.