Lincoln Gordon --diplomata norte-americano que foi embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre os anos 1961 e 1966 e presidente da Universidade Johns Hopkins no final dos anos 60-- morreu na casa de repouso onde vivia em Washington, informou o "New York Times".

Gordon, que tinha 96 anos, morreu na casa de repouso Collington, em Mitchellville, onde morava desde 2007, segundo seu filho Robert, citado pela reportagem do "Times".

Economista, o diplomata cursou doutorado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e foi professor de Harvard, nos Estados Unidos durante muitos anos. Ele foi o representante americano no Brasil durante cinco anos, e presidente da John Hopkins entre 1967 e 1971.

Em 1964, após o golpe de estado que depôs o então presidente do Brasil João Goulart e deu início à ditadura militar, Gordon, sua equipe e a CIA [agência de inteligência americana] foram acusados de envolvimento com o golpe, mas negaram envolvimento com a ação.

No entanto, em 1976, uma década depois de deixar o cargo de embaixador, Gordon admitiu que a administração do então presidente americano Lyndon Johnson estava se preparando para intervir militarmente para impedir que um esquerdista tomasse o poder no Brasil.

Em 1967, após deixar o Brasil, passou a coordenar um fundo de ajuda para a América Latina por meio da Aliança para o Progresso. Um ano depois, deixou o cargo e assumiu a presidência da Johns Hopkins. Em 1971, em meio a problemas de administração, queixas sobre as prioridades acadêmicas e protestos de estudantes, Gordon renunciou ao cargo.

No final dos anos 70, envolveu-se com o Recursos para o Futuro, uma organização de pesquisas de Washington, e desde 1984, atuava como economista para o instituto Brookings, de Washington, que estuda a política doméstica dos EUA e temas de relevância internacional.

Gordon publicou vários livros, entre eles: "Um novo acordo para a América Latina" (1963), "Políticas de Crescimento e a Ordem Internacional" (1979), "Estratégias de Energia para Nações em Desenvolvimento" (1981), "Império em Decadência: Relações entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental" (1987) e "A Segunda Chance do Brasil" (2001).