O delegado Otto Seques, de São Vicente Ferrer (265 km de São Luís), afirmou nesta segunda-feira (21) que "algo mais há" no caso de um menino de dois anos encontrado com sete agulhas no corpo no Maranhão. A polícia começa a ouvir hoje vizinhos e parentes sobre o crime.

Segundo o delegado, a mãe levou o garoto para o hospital apenas oito dias após uma queda que ela diz ter sido a causa do estado do menino, internado com cinco costelas e a clavícula quebradas.

"O fato de que a própria mãe o levou [ao hospital] atesta que a queda da rede pode ter sido a causa das fraturas, mas, como haviam se passado oito dias dessa queda, isso nos faz crer que algo mais há", diz o responsável pelas investigações.

A mãe do menino é uma lavradora de 20 anos, que tem mais uma filha de quatro anos. O pai tem pouco mais de 30, segundo a polícia. Ambos vivem da lavoura na cidade de pouco mais de 20 mil habitantes.

"A queda em si pode até ser verdadeira, mas foi o estopim para que se descobrisse as agulhas", diz Seques. Duas delas, que estavam próximas a regiões vitais, já foram extraídas em São Luís, para onde o menino foi transferido devido à gravidade dos ferimentos.

A história já contabiliza dois meses entre a internação e a abertura de inquérito na última quinta-feira (17). O caso foi levado ao Conselho Tutelar pelo hospital, que o encaminhou ao Ministério Público. A Justiça determinou que a guarda fosse transferida temporariamente aos avós da criança.

Por enquanto, a polícia parte de linhas de investigação, entre elas, de que teria havido um ritual de magia negra. "Agora nós vamos saber da vida dessas pessoas no povoado. A região é bem pobre, tem estradinhas de chão. Um sabe da vida do outro e nem fecham a porta de casa. Isso deve nos ajudar a entender o que houve", afirma o delegado.

Se ficar provado que a criança correu risco de morte, o crime pode ser enquadrado em tentativa de homicídio e tortura. "Eu vejo esses dois crimes, mas o Ministério Público é o dono da ação penal, então, é ele quem vai decidir como enquadrar esse caso", completa Seques.