Fruto ou não de um desejo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) não apostar que o PSDB consiga unir os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) em uma mesma chapa à Presidência no ano que vem.
Aécio abriu mão da pré-candidatura na semana passada. Em privado, diz querer lançar-se ao Senado, apesar dos apelos da cúpula tucana para que dispute a vice, tendo Serra na cabeça de chapa. Para o partido, uma dobradinha seria fundamental à eventual vitória da oposição. Em café da manhã com jornalistas setoristas do Palácio do Planalto, Lula ironizou a possibilidade, comparando-a ao futebol.
- Eu não sei se dois tortinhos, dois Tostões... se saem bem no mesmo time.
A frase faz alusão aos craques do futebol Garrincha, que tinha as pernas tortas, e a Tostão, mineiro reconhecido como um dos grandes jogadores do país. O presidente informou que ainda não conversou com o governador de Minas após a decisão, mas irá procurá-lo ao final das festas de Natal e Ano Novo.
Ele frisou que não tem qualquer “ingerência” sobre o PSDB e que não sabe quais as razões que levaram Aécio a optar pela disputa por uma vaga no Senado, mas arriscou um palpite.
-Eu acho que a disputa dentro do PSDB não estava fácil. Era uma disputa acirrada. Vocês sabem que a máquina sempre tem uma prevalência nessas disputas internas. Eu não sei qual é a razão. Não sei se o Aécio explicou corretamente os motivos à imprensa. Não sei se é uma decisão definitiva, se é um jogo de pressão. Vamos ver.
Na avaliação de Lula, a antecipação da polarização das eleições de 2010 não muda o quadro sucessório. Segundo ele, Serra está em primeiro lugar nas pesquisas desde o começo de seu segundo mandato como presidente.
- Deixa eu contar uma coisa de quem perdeu eleições: as pesquisas feitas agora, neste ano, obviamente que elas servem como estímulo, servem como uma fotografia, mas não têm nenhuma importância para o pleito de 2010. Nenhuma importância.
A rejeição à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT, também não chega a preocupar.
- A rejeição é sempre um dado a ser analisado com muito carinho (risos). Se vocês pegarem, vocês têm que pegar as minhas rejeições. Sabe, eu quando era candidato eu tinha muita rejeição. Campanha serve exatamente para você diminuir a rejeição. Tem cara que começa uma campanha com cinco (por cento) de rejeição e termina com 50. Tem gente que começa com 50 e termina com cinco