O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quinta-feira (17), na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que os países desenvolvidos assumam "metas ambiciosas" para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa – ele disse que esses objetivos devem estar "à altura de suas responsabilidades históricas e do desafio que enfrentamos".
– Se quisermos ser realmente ambiciosos, deveríamos almejar o patamar de 40% [em relação aos níveis de 1990]. Quero falar com toda clareza. Esta Conferência não é um jogo onde se possa esconder cartas na manga. Se ficarmos à espera do lance de nossos parceiros, podemos descobrir que é tarde demais. Todos seremos perdedores.
O objetivo da reunião, que começou na semana passada e vai até esta sexta-feira (18), é firmar um acordo para a redução das emissões de gases do efeito estufa, como o CO2 (dióxido de carbono), na tentativa de conter o aumento da temperatura na Terra. O problema é que, a pouco mais de um dia do final, as negociações ainda estão travadas, com países ricos e pobres discordando sobre qual deve ser o papel de cada um no processo. O presidente disse que o compromisso de cada nação deve levar em conta a responsabilidade histórica de cada país no processo do aquecimento global.
– Precisamos de ações concretas e justas, amparadas em meios financeiros e tecnológicos expressivos. Elas devem refletir a participação de cada país, ao longo dos últimos séculos, no aumento da temperatura. É fundamental respeitar o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
Lula também ressaltou o fato de o Brasil ter adotado como meta reduzir o crescimento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020 – o objetivo foi aprovado pelo congresso brasileiro.
– Esse esforço nos custará US$ 160 bilhões. Ou seja, US$ 16 bilhões por ano, de 2010 até 2020. Mas essa não é uma proposta para barganhar. É compromisso que assumimos com a nação brasileira e com o mundo.
Dinheiro dos ricos para os pobres
O presidente também falou sobre a importância de os países ricos criarem um fundo para ajudar as nações pobres a se adaptarem e combaterem os efeitos da mudança climática – segundo Lula, o fenômeno já é sentido na Terra. Ele disse que a adaptação ao fenômeno é "um desafio prioritário" para "as pequenas ilhas e países sujeitos à desertificação, especialmente na África".
– É inaceitável que os países menos responsáveis pela mudança do clima sejam suas primeiras e principais vítimas.
A questão do financiamento para ações que ajudem os países pobres a lidar com o aquecimento global é um dos principais entraves da negociação, sem um acordo sobre os valores a serem investidos por cada nação. Hoje, os Estados Unidos anunciaram que vão contribuir para a criação de um fundo de de US$ 100 bilhões (R$ 175 bilhões) por ano até 2020 com esse objetivo.
Para o presidente, é necessário investir dinheiro público nesse tipo de plano.
– Mecanismos de mercado podem ser úteis, mas nunca terão a magnitude ou a previsibilidade necessárias para a transformação que queremos.