A chegada do presidente deposto de Honduras fez dobrar o valor da conta de luz da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, informou ao R7 um funcionário da missão brasileira na capital hondurenha. Wilson Batista, assistente da chancelaria da embaixada, acredita que o presidente deve ficar abrigado ali até 27 de janeiro, quando toma posse o novo governo eleito no último dia 29.
Zelaya chegou à embaixada em 21 de setembro. Segundo Batista, ele estava acompanhado de uma comitiva de 316 pessoas entre correligionários, familiares e militantes, além de jornalistas brasileiros e estrangeiros que conseguiram entrar na casa. O presidente deposto havia acabado de voltar escondido ao país, após o golpe que o retirou do poder em 28 de junho.
Hoje, diz Batista, os acompanhantes de Zelaya não passam de 15, a maioria seguranças. Da família, ficou apenas a mulher Xiomara:
- Na sexta-feira, saíram três: um jornalista, que estava desde o começo, e dois rapazes da segurança dele. Eles estão saindo aos poucos.
A turma que acompanha Zelaya praticamente se diluiu nos quase 500 m² da casa de oito cômodos. Há apenas dois brasileiros no local. Na verdade, dois que se revezam: o ministro conselheiro Francisco Catunda e o próprio Batista.
Eles fazem turnos de 24 horas cada um para “tomar conta da embaixada”. Segundo Batista, "Zelaya não pode ficar sem um funcionário da embaixada presente".
Nesse período, a embaixada suspendeu todas as atividades, inclusive as consulares (de atendimento aos brasileiros no país). A assessoria de imprensa do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) informa que a maioria dos serviços está sendo prestada na casa do ministro conselheiro Catunda e que apenas alguns trâmites foram transferidos à Embaixada do Brasil em El Salvador, país vizinho.
Segundo Batista, a embaixada não está fornecendo absolutamente nada ao grupo de Zelaya. A não ser água e luz.
- Não estamos nem fornecendo material de escritório para ele, pois nós não temos.
Despesa mensal é de R$ 27.238
Nesse período de hospedagem de Zelaya, a conta de luz na embaixada brasileira dobrou. Subiu do equivalente a R$ 220 (2.500 lempiras) para R$ 450 (ou 5.000 lempiras).
Segundo o Itamaraty, o orçamento mensal da embaixada para despesas básicas é de US$ 5.700 (R$ 10 mil). O imóvel pertence ao ministério. Contando os valores do seguro da propriedade e dos automóveis, mais a folha de pagamento dos funcionários locais, a despesa mensal sobe para US$ 15.485 (R$ 27.238).
Comida, roupa e produtos de higiene vêm de fora, segundo Batista. Ele acredita que quem forneça sejam organizações não governamentais:
- A limpeza antigamente eram eles mesmos que faziam [turma do Zelaya], mas agora voltamos a ter uma profissional, contratada pela embaixada, que trabalha 3 horas por dia, dia sim dia não, que já havia antes do Zelaya.
Sobre a expectativa de saída do presidente deposto do prédio, Batista afirma:
- Zelaya está dizendo que enquanto o Brasil deixá-lo ficar na embaixada, ele vai ficar. Extraoficialmente há uma expectativa de que ele saia dia 27 de janeiro, que é a data da posse do novo presidente.
O Itamaraty afirma que Zelaya fica na Embaixada do Brasil o tempo que julgar necessário.