A pirâmide financeira é um velho golpe. Precisa de muitos participantes para fazer a festa de poucos malandros. Esse velho truque foi aplicado para enganar boa parte da população de Maragogipe, na Bahia. Mais de 13 mil pessoas foram enganadas. Agora, estão inconformadas. É difícil encontrar alguém na cidade que não esteja se queixando do golpe.
- Eu quero saber para onde foi nosso dinheiro - diz uma vítima.
- Eu já tinha dado R$ 2 mil, e no dia 18 eu já tinha dado mais R$ 500,00. Eu raspei a minha conta - diz outra vítima.
Para atrair clientes, a pirâmide, que recebeu o nome de "caixa cooperativa", tinha até propaganda nas ruas. "Tenha certeza que continuaremos trabalhando para manter a nossa caixa crescendo a cada dia", dizia o texto.
A promessa era multiplicar o dinheiro aplicado em menos de um mês.
- Eu coloquei R$ 200,00, recebi R$ 800,00. Depois recebi R$ 5 mil. A sorte bateu na minha porta - afirma Rosenil Jesus Santos.
E sem perceber, os sortudos foram espalhando a notícia do dinheiro fácil. Até quem mora nos bairros mais pobres colocou em jogo o pouco que tinha. Muitos pescadores entregaram à quadrilha da pirâmide o dinheiro que receberam do governo federal: dois salários mínimos, pagos no período em que a pesca é proibida.
A arrecadação era semanal e o único documento de garantia era um pedaço de papel, sem assinatura, com a data do recebimento do dinheiro. O caixa da pirâmide funcionava em uma casa, no centro da cidade e tinha até proteção de policiais militares.
Quatro mulheres, moradoras de Maragogipe, são acusadas de serem as responsáveis pelo golpe. De repente, elas fecharam a casa, sumiram e não deram mais notícia. Quando os moradores souberam as quatro mulheres já estavam longe da cidade. A casa não foi invadida porque os policiais que davam cobertura à pirâmide impediram. Um deles, à paisana, deu dois tiros para cima quando as vítimas procuraram a delegacia.
A polícia ainda não tem pistas. As mulheres podem responder por crime contra a economia popular, estelionato e formação de quadrilha. As penas podem chegar a 12 anos de prisão.