O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse que denúncias de corrupção, como as investigadas pela Operação Caixa de Pandora no Distrito Federal , revelam "mazelas" do sistema político e mostram a necessidade de mudanças no financiamento de campanhas eleitorais.
- Isso é preocupante porque pode afetar a legitimidade do sistema político, (despertar) a dúvida do cidadão em relação à seriedade do processo democrático - disse Gilmar, após participar de cerimônia no Tribunal de Justiça de Goiás.
Na véspera, o STF abriu ação penal para investigar a participação do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) no mensalão mineiro, suposto esquema de desvio de dinheiro público para financiar a campanha do tucano à reeleição no governo de Minas Gerais, em 1998.
O presidente do STF afirmou que o sistema político precisa de mudanças para evitar a corrupção, principalmente em relação ao pagamento de campanhas eleitorais.
- No que diz respeito ao financiamento de campanhas, temos que ser mais enfáticos no que concerne a mudanças, reformas. Esse modelo de financiamento exclusivamente privado e captado pelos candidatos ou envolvidos é propiciador desse modelo (de corrupção). Precisamos refletir sobre esse assunto - afirmou.
Gilmar diz que sistema político do país tem passado por sucessivas crises
Segundo Gilmar Mendes, desde os casos de corrupção no governo do ex-presidente Fernando Collor, o sistema político do país tem passado por sucessivas crises.
- A toda hora, desde 1990, quando tivemos a crise do Collor e do PC Farias (Paulo César Farias, tesoureiro da campanha de Collor), o Brasil tem tido reincidências. Depois tivemos o caso do mensalão, aquela crise na Comissão do Orçamento. Há sucessivas crises nessa área - citou.
Segundo Gilmar, além de mudanças na lei, "é preciso que se introduza uma nova cultura", assim como melhorar a fiscalização.
Na quarta-feira, o presidente Lula também defendeu a reforma política como forma de coibir a corrupção ao comentar o esquema de propina no governo de José Roberto Arruda. O presidente classificou o episódio de deplorável.