A juíza Júnia de Souza Antunes concedeu reintegração de posse para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. O plenário da Casa está ocupado por manifestantes desde quarta-feira. Eles pedem o impeachment do governador José Roberto Arruda (DEM), suspeito de participação em um esquema de corrupção.
Dois oficiais de Justiça foram até a Câmara para tentar negociar com os manifestantes a desocupação do plenário da Casa. A expectativa é que a saída seja pacífica.
O pedido de reintegração foi feito pelo presidente em exercício da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Cabo Patrício (PT).
Os manifestantes disseram que manteriam o acampamento até a Câmara colocar em votação os processos de impeachment contra Arruda.
"Não tem previsão de saída porque a ocupação é uma forma de pressionar os distritais a analisarem o impeachment do governador arruda. Não queremos atrapalhar ou parar os trabalhos da casa, mas não podemos fingir que nada está acontecendo com o comando do DF", disse a porta-voz do movimento, Lorena Fernandes.
Enquanto os manifestantes ocupam o plenário, a maioria dos deputados optou por ficar fora das dependências da Casa --o que na prática impede a retomada dos trabalhos.
O grupo argumenta que a Câmara Legislativa não tem autonomia para julgar Arruda uma vez que a maioria dos deputados distritais é aliada do governador.
Na terça-feira, a Câmara Legislativa promete realizar sessão plenária para a escolha do novo corregedor da Casa --que terá a responsabilidade de analisar as denúncias contra os colegas.
O deputado Brunelli Júnior (PSC), ex-corregedor, foi afastado da função porque aparece em um dos vídeos gravados por Durval Barbosa, ex-colaborador de Arruda, recebendo dinheiro do suposto mensalão.
Além de Brunelli, também são suspeitos de participação no esquema o presidente afastado da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), e os deputados Eurides Britto (PMDB), Rogério Ulysses (PSB), Benício Tavares (PMDB), Pedro do Ovo (PRP), Benedito Domingos (PP), e Roney Nemer (PMDB).
Ocupação
Os manifestantes invadiram por duas vezes o plenário da Câmara Legislativa na quarta-feira. Na primeira, quebraram uma porta de vidro e um detector de metais. Na confusão, ainda feriram um servidor da segurança, que foi pisoteado e levado para um hospital. Após a promessa dos deputados distritais de lerem ainda hoje o pedido de criação de uma CPI para investigar o esquema de corrupção, os manifestantes deixaram o local.
Sem a criação da CPI, os manifestantes, que são formados, principalmente por estudantes, esperaram a sessão terminar e voltaram a ocupar o plenário. Mais uma vez, eles quebraram aos chutes uma porta de madeira que dá acesso ao local.
Ontem, os manifestantes deixaram o plenário para que a sessão fosse realizada, mas diante da falta de quorum a Câmara local não teve reunião. Ao final da sessão, eles voltaram a ocupar o plenário.