O advogado do ex-prefeito Celso Pitta, Remo Battaglia, disse neste sábado (21) que as disputas judiciais contribuíram para agravar a doença do ex-prefeito, que morreu na noite de sexta-feira (20) em decorrência de câncer disseminado no intestino.
"Ele mesmo disse isso, que sem dúvida isso foi mais um ingrediente todos esses dissabores, problemas e disputas judiciais. Inclusive, quando ele estava lutando contra a doença, ele passou por isso", afimou, citando como exemplo a prisão domiciliar pela qual passou este ano por falta de pagamento da pensão alimentícia da ex-mulher, Nicéia Pitta.
Em entrevista coletiva concedida no Hospital Sírio-Libanês, Battaglia disse que a família está muito abalada e que Pitta enfrentou a doença "com bravura". Todos abalados. A atual convivente dele, a mãe, a sobrinha, as pessoas com quem ele tinha contato, com quem eu pude falar. Todos muito tristes. Eles já estavam sofrendo muito com a doença."
O ex-prefeito chegou a ser preso em julho do ano passado, durante a Operação Satiagraha, mesma ocasião em que também foram detidos o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas.
Em novembro de 2008, ele teve a prisão decretada por falta de pagamento da pensão à ex-mulher. Em abril deste ano, ele obteve um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitindo que cumprisse prisão domiciliar.
À época, ele afirmou que deixou de pagar a pensão a sua ex-mulher, Nicéia Pitta,
devido a perdas de contratos por tido nome envolvido na Operação Satiagraha.
Velório e enterro
Boletim médico divulgado pelo hospital informou que a doença vinha vinha sendo tratada desde janeiro desse ano, quando foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino.
De acordo com o boletim, Pitta estava internado desde 3 de novembro, acompanhado pelas equipes médicas coordenadas pelos médicos Raul Cutait e Paulo Hoff.
O velório está marcado para as 12h, na Assembléia Legislativa, e o enterro, para as 17h, no cemitério Getsêmani, em São Paulo.
Eleição e mandato
Pitta foi eleito em 1996, com 62,2% dos votos, apoiado pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP), de quem havia sido secretário. Ele esteve à frente da prefeitura até 2000.
O mandato de Pitta foi marcado por suspeitas de corrupção, com denúncias surgindo em março de 2000, principalmente por parte de sua ex-esposa, Nicéia Camargo. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários - entre as denúncias, está o escândalo dos precatórios.
Segundo a assessoria do advogado do ex-prefeito, Pitta vinha trabalhando como economista, prestando assessoria a empresas.