O Ministério Público do Estado de São Paulo informou nesta quarta-feira (18) que a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social (anteriormente denominada Cidadania) vai pedir que perícias sejam feitas para avaliar se alterações de métodos de construção ou uso de materiais diferentes do exigido em contrato em obras do Rodoanel provocaram falhas como a do dia 13 deste mês, quando três de quatro vigas de um viaduto desabaram.
A Promotoria também irá avaliar se o acidente provocou alguma espécie de prejuízo aos cofres do governo estadual ou se houve alguma imperícia na administração da obra. Em nota, o Ministério Público informou que paralelamente ao trabalho realizado pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, há um outro procedimento na Promotoria de Justiça de Embu (Grande São Paulo).
Se ficar comprovado que houve alguma espécie de erro administrativo, os responsáveis poderão ser obrigados a pagar os prejuízos, perder a função que ocupam ou pagar multa e ainda serem impedidas de firmar contratos com a administração pública.
Ainda nesta quarta-feira, deputados da Alesp (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo) informaram que vão visitar nesta quinta-feira (19) o canteiro de obras do viaduto que desabou. Integrantes do PT, PSOL e PRB, além de outros partidos que foram convidados irão até o local para verificar as condições de trabalho dos funcionários da construtora responsável pela obra e da perícia.
Todas as 2.000 vigas dos viadutos, pontes e passagens de nível do trecho Sul do Rodoanel serão vistoriadas pelo Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) de São Paulo. Uma equipe com integrantes do conselho, das empreiteiras que constroem as pistas e da Dersa - Desenvolvimento Rodoviário S.A., empresa ligada ao governo estadual responsável pelas obras, começa os trabalhos na próxima segunda-feira (23).
Na sexta-feira (13), três vigas que foram colocadas sobre a rodovia Régis Bittencourt caíram sobre dois carros e um caminhão, deixando três feridos O superintendente operacional e chefe de fiscalização do Crea, Ademir Alves do Amaral, afirmou que o foco da fiscalização são as vigas pré-moldadas.
— Precisamos saber se as vigas usadas em todo o trecho Sul estão em condições de serem utilizadas, se têm as mesmas características das outras, quais são do mesmo lote (das vigas que caíram na sexta-feira), se têm o mesmo padrão de qualidade.
Na segunda-feira, o presidente do conselho, José Tadeu da Silva, já havia dito que a colocação de apenas quatro das cinco vigas de sustentação da estrutura da ponte é uma provável hipótese da causa do desabamento de sexta-feira.
Trabalha-se também com a hipótese de a viga acidentada ter sido danificada durante o transporte desde o canteiro central da empreiteira, que fica a cerca de dois quilômetros da ponte em construção na Régis, ou mesmo que o processo de fabricação da peça pré-moldada não tenha sido adequado.
Amaral disse que esse tipo de estrutura exige que sejam colocadas as cinco vigas simultaneamente.
— Colocar quatro, sem avaliar as consequências, pode ter sido o erro ou a falha na construção da estrutura.
Essas vigas de concreto pré-moldadas levam 28 dias para maturar. Para acelerar o processo de secagem é utilizado um produto químico que provoca endurecimento e secagem rápidos.
— É normal colocar o produto para acelerar o processo. O importante é secar. Por isso, vamos analisar todas as vigas da obra para levantar dados das peças, ver se têm o mesmo padrão.
Dersa - A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) informou que guindastes foram instalados próximo ao viaduto que desabou parcialmente. Eles não entraram em operação, segundo a empresa. Entretanto, os guindastes seriam utilizados para içar as vigas.
A estatal confirmou o cronograma da colocação da vigas, do dia 7 ao dia 10 de novembro, e informou que quatro das cinco vigas puderam ser instaladas somente no dia 10. Nova autorização era aguardada entre os dias 14 e 15 de novembro.
Em relação a não ter avisado a concessionária Autopista Régis, a empresa informou que a Polícia Rodoviária Federal acompanhou apenas o posicionamento das máquinas (guindastes). A interdição não foi feita pois não houve liberação por parte da concessionária da Régis Bittencourt.
A Dersa informou ainda que não houve mudança no cronograma e que a movimentação dos guindastes não têm relação com o que ocorreu com as vigas.