A Polícia Federal (PF) iniciou na manhã desta sexta-feira a Operação São Cristóvão com o objetivo de combater uma suposta quadrilha especializada no tráfico internacional de drogas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Cerca de 160 policiais buscam cumprir 29 mandados de prisão temporária, 35 de busca e apreensão e 12 de condução coercitiva (para prestar depoimento). Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão. Destes, cinco já se encontravam detidos em presídios, incluindo o empresário Rondon Said Neto, acusado de ser o líder do grupo. Entre os presos, está o dono de uma mecânica, onde foram encontrados caminhões adulterados.
De acordo com a PF, o empresário de Cuiabá seria proprietário de transportadora e de uma madeireira, que pode ser de fachada, e já teria sido investigado por outros crimes. A quadrilha atuaria também na receptação e envio de carretas e caminhões, inclusive bi-trem, roubados para a Bolívia. A ação ocorre nas cidades de Cuiabá, Cáceres, Rondonópolis, Tangará da Serra e Primavera do Leste (MT); Corumbá (MS); São Paulo, Américo de Campos, Lavígnia e Pracinha (SP).
Segundo a PF, foram apreendidos nesta manhã R$ 250 mil em dinheiro, cinco armas e quatro veículos, sendo um deles uma motocicleta. Ainda foram identificados quatro carretas com indícios de adulteração. Elas deverão ser encaminhados para o Conselho Nacional Antidrogas (Conen) e passarão por perícia. Desde o início das investigações, em 2008, a polícia apreendeu mais de 230 kg de cocaína.
Os membros da quadrilha seriam responsáveis pela abertura de empresas de fachada nos seus próprios nomes e de familiares, como o da mãe do suposto líder. Segundo a polícia, tudo indica que o chefe da quadrilha dava ordens de dentro da prisão. Alguns dos caminhões que foram pegos saindo da Bolívia para o Brasil, estavam com drogas no seu interior.
A polícia afirma que o grupo costumava comprar os veículos roubados em São Paulo e Curitiba (PR) e depois clonava as carretas com documentos dos próprios membros da quadrilha, antes de entregá-las na Bolívia. Servidores públicos participariam do esquema e liberariam os veículos que fossem apreendidos. Existem suspeitas que as carretas eram usadas para serem trocadas por droga, além de serem utilizadas para fazer o carregamento dos entorpecentes, já que em algumas operações a polícia apreendeu drogas nos veículos.
Os presos serão indiciados por tráfico internacional de entorpecentes, associação ao tráfico e receptação.