O senador tucano Eduardo Azeredo (MG) negou nesta quinta-feira (5) qualquer participação no esquema de desvio de recursos para sua campanha, conhecido como mensalão mineiro. Ele afirmou que respeita o STF (Supremo Tribunal Federal), mas que não há provas das denúncias.

- Reitero meu absoluto respeito às decisões do Supremo Tribunal Federal, mas quero dizer que não existe nenhum documento que comprove as denúncias.

O parlamentar mineiro afirmou que no inquérito em análise no STF (Supremo Tribunal Federal) existe um recibo falso que poderia desacreditar todo o processo.

- Nunca assinei esse recibo. Acho grave que um documento falso tenha sido incluído nas peças de acusação.

No recibo atribuído ao senador, as empresas de publicidade SMP&B e DNA, então de propriedade de Marcos Valério, teriam direcionado ao tucano R$ 4,5 milhões para gastos em campanha. De acordo com Azeredo, sua assinatura no recibo foi falsificada por Nilton Antônio Monteiro. A Polícia Civil de Minas Gerais investiga a denúncia de Azeredo sobre a falsificação.

O STF retoma nesta quinta o julgamento que vai decidir se Azeredo vira réu em processo penal. O relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, propôs no primeiro dia de julgamento ontem a abertura de ação penal contra Azeredo pelo crime de peculato. Hoje Barbosa analisará parte da denúncia do procurador-geral da República que diz respeito à lavagem de dinheiro. Azeredo pode virar réu se a maioria dos ministros aceitar a denúncia. Caso a denúncia seja rejeitada, o processo será arquivado.

Em 2007, Azeredo e outras 15 pessoas foram denunciadas pelo então procurador-geral da República Antonio Fernando Souza pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Entre os acusados está o empresário Marcos Valério de Sousa.

De acordo com os fatos apresentados na denúncia, o mensalão mineiro se caracterizou por uma operação para desviar recursos públicos da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Cemig (Companhia Enengética de Minas Gerais) e do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais) para beneficiar a campanha de Eduardo Azeredo e Clésio Andrade, candidato e vice ao governo de Minas.

Na ação, é citada a suposta participação da empresa de publicidade do empresário Marcos Valério no esquema. "A empresa SMP&B Comunicação teria adotado expedientes criminosos (lavagem) para proporcionar que os recursos desviados fossem utilizados, com aparência de licitude, na campanha eleitoral de 1998 de Eduardo Brandão de Azeredo e Clésio Andrade ao governo de Minas Gerais", diz um trecho da ação.

A defesa do senador Eduardo Azeredo alegou que a denúncia da PGR é inepta porque não houve a exposição do fato criminoso nem as circunstâncias em que teria ocorrido.

Em maio deste ano, o STF desmembrou o inquérito e determinou que a primeira instância da Justiça Federal de Minas Gerais julgasse Marcos Valério e os outros acusados, que não têm foro privilegiado.

O mensalão mineiro teria sido o embrião do esquema que ficou conhecido como mensalão em 2003, por meio do qual verbas públicas supostamente eram desviadas para a compra de apoio de parlamentares a matérias de interesse do governo no Congresso.
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