Uma explosão na criação de embaixadas brasileiras ao redor do mundo provocou um aumento no número de vagas para diplomatas. Nos últimos sete anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decretos para criar 35 novas representações diplomáticas do Brasil em países como Azerbaijão, Eslovênia, Congo e Sri Lanka. Entre 1994 e 2005, os concursos de admissão à carreira de diplomata, promovidos pelo Instituto Rio Branco, abriram, em média, 28 vagas por ano (com exceção de 2003, quando um concurso extra no meio do ano criou mais 35 vagas). A partir de 2006, o número de novos diplomatas por concurso subiu para 105 - um aumento de quase quatro vezes. O diplomata é quem negocia em nome do país que representa e conduz todas as questões de relações internacionais e negócios estrangeiros.

Hoje, o salário inicial de um diplomata brasileiro é de R$ 12.413 - vencimentos de um terceiro-secretário, o cargo mais baixo na hierarquia do Itamaraty, de acordo com ADB (Associação dos Diplomatas Brasileiros). No posto mais alto - embaixador -, a remuneração é de R$ 17.347. A carreira também é atraente porque dá estabilidade no emprego, plano de saúde vitalício em qualquer lugar do mundo e a possibilidade de viajar e trabalhar em outros países. A parte difícil é passar no concurso que, além de concorrido, exige grande conhecimento dos candidatos.

O Ministério das Relações Exteriores, também conhecido como Itamaraty, é responsável por auxiliar o presidente da República a criar e a colocar em prática a política externa brasileira, representar o Brasil e o governo brasileiro no exterior, negociar e assinar acordos e tratados internacionais, proteger os cidadãos brasileiros no exterior, estimular o aumento das relações comerciais do Brasil com outros países, promover a cultura brasileira no exterior, entre outras funções.

Para isso, o Itamaraty conta com mais de 120 embaixadas e 68 consulados no exterior, além das missões e delegações junto a organismos internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas) e o Mercosul (Mercado Comum do Sul) e da estrutura do Ministério das Relações Exteriores no Brasil que inclui, além da sede em Brasília, escritórios em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

O ministério é dividido em subsecretarias-gerais e departamentos, que cuidam de determinados temas ou de determinadas regiões geográficas. A Subsecrataria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, por exemplo, é responsável por coordenar o atendimento a brasileiros no exterior. Já o Departamento de Europa, ligado à Subsecretaria-Geral de Política 1, trata das relações do Brasil com o Velho Continente.

Para tocar as sete subsecretarias-gerais e os 22 departamentos, os escritórios no Brasil e nos organismos internacionais, e as mais de 120 embaixadas e quase 70 consulados e vice-consulados, o Ministério das Relações Exteriores conta com cerca de 1.697 diplomatas.

Desde 1824, quando o primeiro embaixador brasileiro se estabeleceu em Washington, nos Estados Unidos, até a criação das mais recentes embaixadas brasileiras, como a representação em Baku, no Azerbaijão, em 2008, já são 125 anos. Entretanto, o começo da diplomacia brasileira é ainda mais antigo, com historiadores apontando a assinatura do Tratado de Madri - que substitui o Tratado de Tordesilhas -, em 1750, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, como o marco inicial.

Os custos para manter uma embaixada no exterior variam, dependendo do tamanho e do país aonde elas estão. A maioria das embaixadas criadas recentemente é pequena, com apenas um diplomata, um oficial e um assistente de chancelaria trabalhando em cada uma delas. É o caso da Embaixada do Brasil em Antígua e Barbuda, no Caribe. A representação - localizada na capital do país, St. John\'s - conta, anualmente, com uma verba de US$ 326 mil de capital (para pagar móveis, veículos etc.) e outros US$ 114 mil para despesas de custeio (água, luz, telefone, serviços e outras despesas).