De olho nos cifrões gerados com a instalação das centrais de energia, cidades e estados disputam as novas usinas, que serão construídas nos próximos anos, marcando a retomada do programa nuclear brasileiro. Além de Angra 3, com obras a pleno vapor, serão construídas duas novas centrais no Nordeste - e a disputa entre Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco para receber esses investimentos é intensa. O governo federal também planeja outras duas centrais na Região Sudeste e sinaliza que, até 2030, poderão ser acrescidas mais quatro usinas no país: no total, seriam de quatro a oito usinas novas em 21 anos.

A disputa das cidades e estados é por investimentos diretos de R$ 7 bilhões, cerca de seis mil empregos e uma capacidade de aumentar a riqueza local - e os impostos - na casa do bilhão de reais. O maior risco da disputa, além da velada "ameaça atômica" que não sai do imaginário popular, é a favelização dessas áreas, como ocorreu com Angra dos Reis nos anos 1970.

Hoje, a cidade adota medidas preventivas para evitar uma massa migratória, o que poderia anular os ganhos econômicos que já começam a surgir com a retomada de Angra 3. As obras, paradas desde 1986, ainda estão nos alicerces, mas a prefeitura de Angra já comemora os R$ 150 milhões que receberá como contrapartida da Eletronuclear, dinheiro que representa um terço do orçamento anual da prefeitura. É só o começo. Nove mil empregos, aumento do comércio local em 10% e novos negócios deverão chegar junto com os reatores nucleares.