Os seis sobreviventes do acidente com o avião C-98 Caravan da Força Aérea Brasileira (FAB) que estavam internados em um hospital da cidade de Cruzeiro do Sul (AC) receberam alta. Segundo informações do diretor do diretor-clínico do Hospital Geral do Juruá, Fábio Pimentel, todos passam bem. Exames foram feitos durante a noite e madrugada e apenas três pacientes tiveram fraturas leves e devem ter um acompanhento médico mensal. Todos estão lúcidos e conversando, inclusive uma das sobreviventes que está grávida, de acordo com Pimentel.

Os seis civis, funcionários da Funasa, serão transportados pela FAB neste sábado (31) para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde morram. Os outros trê sobreviventes, o piloto e dois militares, foram atendidos por médicos militares e já retornaram para Manaus.

As buscas por dois ocupantes da aeronave que ainda estão desaparecidos continuam neste sábado.

O avião monomotor C-98 Caravan que fazia o trajeto entre as cidades de Cruzeiro do Sul (AC) e Tabatinga (AM) desapareceu na manhã de quinta-feira (29) e foi encontrado por índios na sexta. A aeronave fez um pouso forçado no rio Ituí, no Estado do Amazonas, e foi encontrado dez milhas fora de sua rota. "O piloto tem mais de mil horas de voo no Caravan e com certeza tomou a melhor decisão ao pousar no rio."

O avião transportava técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que faziam o trabalho de vacinação em aldeias indígenas do vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas.

Os sobreviventes são: os militares tenente Carlos Wagner Ottone Veiga, tenente José Ananias da Silva Pereira e sargento Edmar Simões Lourenço; e os civis Josiléia Vanessa de Almeida, Maria das Graças Rodrigues Nobre, Maria das Dores Silva Carvalho, Marina de Almeida Lima, Diana Rodrigues Soares e Marcelo Nápoles de Melo.

A aeronave, submersa, já foi localizada por mergulhadores da Aeronáutica e do Exército, que participam das buscas. "No momento, a recuperação do avião não é nossa prioridade. Já sabemos onde ele está, mas vamos nos concentrar em procurar as duas pessoas que ainda não foram localizadas", declarou ontem o major-brigadeiro Jorge Cruz de Souza e Mello.

Os dois desaparecidos são o suboficial Marcelo dos Santos Dias e o funcionário da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), João de Abreu Filho. Os sobreviventes foram enviados ao Hospital Geral do Juruá e, segundo o diretor-clínico da unidade, Fábio Pimentel, os seis civis devem ter alta hoje.

Investigações
A Força Aérea Brasileira (FAB) já começou as investigações sobre as causas do acidente com o C-98.

Os pilotos da aeronave já foram ouvidos extraoficialmente, mas as causas da queda ainda não foram divulgadas. O major-brigadeiro Jorge Cruz de Souza e Mello não deu informações sobre os primeiros depoimentos. Ele disse que o resultado final das investigações pode demorar até um ano para ser concluído.

Mello disse que um oficial especializado em investigação de acidentes aéreos foi enviado a Cruzeiro do Sul para ouvir os tripulantes da aeronave localizados pelas equipes de resgate: o primeiro tenente Carlos Wagner Ottone Veiga, o segundo tenente José Ananias da Silva Pereira e o primeiro sargento Edmar Simões Lourenço.

O major-brigadeiro disse que os tripulantes terão de dar outro depoimento, este oficial, para uma comissão que será formada nos próximos dias e que irá investigar as causas do acidente.

Questionado sobre a possibilidade de uma pane mecânica, já que as condições climáticas na região e no momento do voo eram favoráveis, Mello foi cauteloso. "Seria leviano de minha parte dizer ou insinuar que o acidente aconteceu por pane mecânica. Ainda é prematuro, mas o caso será esmiuçado", explicou.

Caixa-preta
O major-brigadeiro informou que o C-98, assim como outras aeronaves militares, não contém caixa-preta, mas disse que a ausência do equipamento que registra as gravações de voz da cabine e as condições mecânicas da aeronave não deverá dificultar as investigações sobre as causas do acidente.

"Nós temos todo o necessário. Os pilotos estão vivos e aptos a dizer o que aconteceu lá em cima. A aeronave também foi localizada. Não acredito que teremos grandes dificuldades nessa investigação", concluiu.

Por se tratar de um acidente envolvendo uma aeronave militar em missão militar, as investigações sobre as causas da queda não terão interferência de órgãos civis como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).