Mesmo preso, o traficante Isaías Costa Rodrigues, conhecido como Isaías do Borel, ainda comandava um esquema de lavagem de dinheiro por meio de orientações dadas durante visitas ao presídio de segurança máxima de Catanduvas (PR), afirmou nesta sexta-feira o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame Isaías estava prestes a ser beneficiado pela progressão de regime, mas após uma operação realizada hoje no morro do Borel, na Tijuca (zona norte do Rio), um novo mandado de prisão preventiva foi pedido pela polícia, que afirma ter comprovado a participação do traficante no esquema.
"Normalmente os comandos do criminoso se dão através de visitas, seja de familiares ou de advogados. É um direito que o preso tem, o que vai se fazer?", disse Beltrame, que também criticou a legislação que permite a progressão de regime a grandes criminosos.
O secretário também disse que a prática de transferência de criminosos para outros Estados deve continuar. "Nós não queremos essas pessoas aqui, formando um rosário de visitas. Nós estamos fazendo o que está ao nosso alcance. A questão dessas pessoas de lá de dentro controlarem o tráfico está dentro do procedimento que vai se tornar público em breve." Beltrame não detalhou o que é esse procedimento.
Isaías do Borel está preso desde 2007 no presídio de Catanduvas, e é apontado como líder do Comando Vermelho. Em agosto, ele seria transferido para o presídio de Bangu 1, no Rio, mas foi impedido de desembarcar no Estado devido a uma ordem judicial.
Família
A Operação Família S/A foi deflagrada no início da manhã na zona norte do Rio. A polícia tinha 36 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Ao todo, dez pessoas foram presas e 13 presos tiveram a prisão renovada.
Na ação, a polícia também cumpriu um mandado de sequestro de imóvel. Foi tomado um apartamento de luxo na rua Conde Bonfim, na Tijuca, que vale cerca de R$ 150 mil. Ele estava em nome de Emília Costa Rodrigues, irmã de Isaías, que também foi presa por participar do esquema.
"Todos os móveis e equipamentos no interior do apartamento são de primeira linha. Havia TV de plasma, notebook, filmadora. Agora o imóvel não pode ser vendido, é como se fosse uma penhora", disse o delegado Ronaldo Oliveira, diretor da DPC (Delegacia de Polícia da Capital).
A Secretaria de Segurança Pública afirmou que o filho de Emília, William Vieira, conhecido como William Robocop, será transferido para o presídio de Catanduvas. Ele é acusado pela polícia de comandar ações do tráfico diretamente do presídio de Bangu, onde está preso. Silvia Regina Rosário Rodrigues, mulher de Isaías, apontada como sua visitante mais comum em Catanduvas, também foi presa na operação.
Outros presos na ação de hoje são Roberto Carlos Pires Cordeiro, foragido da Justiça desde que recebeu a progressão para o regime semiaberto e não voltou à prisão, e Rafael Caldeira, considerado braço direito de Isaías. Moisés Timóteo Silva Lisboa, apontado como atual chefe do tráfico no morro do Borel, recebendo ordens de Isaías, teve um mandado expedido mas não foi encontrado.
Na operação, registrada na 19ª DP (Tijuca), também foram apreendidos três veículos roubados, R$ 5.000, celulares, computadores e documentos diversos --entre eles comprovantes bancários. Os documentos serão analisados pela polícia, que também vai pedir a quebra do sigilo bancário dos envolvidos com o objetivo de reunir mais provas.
O chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, afirmou que a partir de agora a polícia do Rio vai combater o lucro dos investimentos de grande criminosos.
"Nós continuamos fazendo operações para a retirada de armas das mãos de criminosos, apreensão de drogas. Mas a investigação agora tem que ir um patamar a mais, que é buscar o dinheiro do lucro do negócio. Antes eram atingidos soldados, negócios, mas suas famílias permaneciam isentas, tranquilas dentro de suas residências. De agora em diante, todos aqueles que de alguma forma determinam ações no Rio, terão suas famílias investigadas e presas."