ntre 2005 e 2006, o casal de jornalistas americanos especializados em segurança nacional Nathan Hodge e Sharon Weinberger usou seus dias de férias para fazer uma viagem inusitada: eles fizeram um \'tour atômico\' por cinco países e conseguiram visitar instalações nucleares americanas, russas e até iranianas. Em 2008, a experiência foi publicada no livro "A Nuclear family vacation", inédito no Brasil.

Hoje, o impasse em relação ao cumprimento de tratados e a desconfiança dos países com os arsenais nucleares continua.

O Irã deve responder ainda nesta quinta-feira (29) se aceita o acordo proposto pela ONU para a troca de combustível nuclear. Segundo a proposta da organização, o urânio do país seria enviado à Rússia e à França para enriquecimento e só depois voltaria ao país de origem. Seria uma garantia, para o Ocidente, de que ele não seria usado com fins militares.
Em entrevista ao G1, pelo telefone, Nathan Hodge, um dos autores do livro, comentou a situação das negociações nucleares atuais e disse que a falta de transparência causa toda a desconfiança que os países ocidentais têm em relação ao programa nuclear iraniano.

 

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

 

G1 - No último domingo, a Agência Internacional de Energia Atômica começou a inspeção do novo centro de enriquecimento de urânio perto de Qum. Quase todos os dias lemos notícias sobre a ameaça de que o Irã pode usar seu programa para produzir a bomba. Você acredita que a intenção do Irã é realmente produzir a bomba ou isso é apenas um jogo político?

 

Nathan Hodge - Nós visitamos o Irã como parte das pesquisas para nosso livro e tivemos a oportunidade de entrar em uma importante instalação iraniana de conversão. As autoridades iranianas abriram as portas como um gesto para mostrar ao mundo transparência. Mas a questão é que abrir as portas para um grupo de jornalistas não manterá a transparência. E como, claro, descobrimos depois, havia a instalação de Qum, que não havia sido revelada na época. Há claramente uma cultura de segredo sobre o programa nuclear iraniano, que está dando dor de cabeça para os EUA e para o resto do mundo.

A opinião da CIA é de que o Irã desativou seu programa de bombas em 2003, mas a instalação de Qum levanta dúvidas. Há agora o acordo para o enriquecimento de urânio fora do país, mas isso só faz a comunidade internacional ganhar tempo.