A Comissão de Relações Exteriores aprovou por 12 votos a 5 nesta quinta-feira (29) a entrada da Venezuela no Mercosul. A adesão formal do país no bloco econômico que já abriga Argentina, Paraguai e Uruguai ainda será decidida pelo plenário do Senado, na próxima semana. A Venezuela só entra no Mercosul após os quatro países do bloco aceitarem o seu ingresso. Argentina e Uruguai já concordaram, faltando apenas Brasil e Paraguai.
As discussões no Senado antes da votação foram inflamadas, mas senadores governistas da comissão decidiram apoiar o voto em separado do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul. O relator da matéria, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), rejeitou a entrada do país em seu relatório, mas a comissão não aprovou o parecer do tucano, derrubando o documento por 11 votos a 6 e uma abstenção.
Com a entrada da Venezuela, o governo pretende alcançar mercado de quase 30 milhões de pessoas do país. A expectativa é que empresários brasileiros possam exportar produtos industrializados para a Venezuela e aquecer o mercado interno e o Mercosul. Estados do Norte do país também teriam a economia ampliada com a entrada da Venezuela. O motivo de discórdia para a entrada do país é o presidente Hugo Chavez. Integrantes da oposição alegam que votar pela inclusão da Venezuela poderia significar apoio ao governo de Chavez, criticado por ações que cercerariam a democracia local.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmou que o Brasil corre o risco de seguir modelo político ditado por Chávez quando o país estreitar laços com a Venezuela.
- Aqui tem ensaio de terceira eleição, tem uma candidata que não respeita a democracia. Tem um governo que diz que a imprensa não pode fiscalizar, que despreza o Congresso quando não concorda com ele, que adora fazer aliança com Judas.
Se a decisão brasileira for confirmada, a tendência é que o Paraguai também aprove a entrada da Venezuela. O relatório de Jereissati, que negou a entrada da Venezuela,, disse que o país não poderia integrar o Mercosul porque não tem eleições democráticas, apresenta processo político viciado, desmonte das instituições e os juízes são nomeados sem concurso público, o que comprometeria a Justiça venezuelana.
O cerceamento à liberdade de imprensa também foi um fator analisado. Integrantes da oposição, no entanto, alegam que o Mercosul é um bloco econômico e não pode fazer interferências em questões de política interna.