A bebê Kaiane do Nascimento Aragão, de 11 meses, que ficou ferida num tiroteio na Favela Kelson's, na Penha, no subúrbio do Rio, não corre o risco de perder o braço, segundo informou a Secretaria estadual de Saúde, na manhã desta quarta-feira (28). Ela está internada no Hospital Getúlio Vargas, também na Penha.

 

Em nota, a Secretaria esclarece que Kaiane "está evoluindo satisfatoriamente, sendo acompanhada pela ortopedia".

 

No tiroteio, a mãe de Kaiane, a dona de casa Ana Cristina Costa do Nascimento, de 24 anos, foi ferida nas costas e acabou morrendo. O tiro saiu pelo peito e atingiu o braço do bebê.

 

As duas irmãs de Ana Cristina se revezam o para acompanhar a sobrinha no hospital.

 

Muito abalado, o pai de Ana Cristina disse na terça-feira (26) que a mulher dele, dona Maria da Conceição, está passando mal e com pressão alta desde que o corpo da filha foi enterrado.

 

Os pais de Ana Cristina souberam da notícia pelo rádio, na madrugada de segunda, por volta das 2h da manhã. Ela era a filha do meio.

“Fiquei doido quando ouvi o nome da minha filha no rádio. Sinto o que todos os pais sente, é a dor de pai e de mãe”, disse ele.

Investigação

Na terça-feira (27), o delegado que investiga o crime, Felipe Ettore, da 22ª DP (Penha), informou que aguarda os laudos o Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICE), para saber o calibre da arma. O prazo é de 10 a 15 dias. Caso a bala não tenha sido retida, o delegado disse que há outras formas de se chegar à arma do crime.

 

Testemunhas afirmam que a bala partiu dos policias. Já a Polícia Militar diz que a viatura do batalhão que fazia o patrulhamento no local foi alvejada e os policias não revidaram.

Ettore informou ainda que vai ouvir os parentes de Ana Cristina que estavam no local no momento do tiroteio, como o primo e o marido. Ele aguarda a família se restabelecer do trauma: “Os laudos são mais importantes. Não preciso fazer eles reverem essa cena trágica nesse momento”.